Indústria nacional de veículos prevê demissão em massa se governo conceder benefício à empresa chinesa
BYD quer redução de alíquota de importação para desmontados e semi-desmontados; pedido deve ser analisado pelo governo em breve

A indústria nacional de veículos prevê demissões em massa caso o governo federal reduza a alíquota de importação para os modelos da montadora chinesa BYD, segundo fontes ouvidas pela coluna. O benefício seria aplicado aos chamados veículos Semi Knocked Down (SKD) - que chegam parcialmente desmontados - e Completely Knocked Down (CKD), enviados em peças separadas para montagem no país de destino.
O temor é que a medida seja aprovada ainda nesta semana, durante a próxima reunião da Câmara de Comércio Exterior (Camex), órgão responsável por formular e implementar políticas para o setor.
Apelo à Lula
No último dia 15, as montadoras Volkswagen, Toyota, Stellantis e General Motors enviaram uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alertando que “o ciclo virtuoso de fortalecimento da indústria nacional está sendo colocado em risco e sofrerá forte abalo se for aprovado o incentivo à importação de veículos desmontados para serem finalizados no país”, diz o documento.
Indignação
Já nesta segunda-feira (28), a Associação Brasileira da Indústria de Autopeças (Abipeças) e o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças) enviaram um novo ofício ao presidente e à Camex. “Reiteramos nossa manifestação de profundo inconformismo e contrariedade com o eventual atendimento de pleito tão despropositado para os interesses nacionais”, diz o texto.
O que diz a BYD?
A BYD respondeu à coluna, nesta quarta-feira (30), por meio de nota, que "o incômodo das concorrentes não tem a ver com impostos, nem com montagem, nem com empregos. Tem a ver com a perda de protagonismo. Com o fato de que um novo player chegou oferecendo mais e cobrando menos. Com o fato de que a tecnologia finalmente deixou de ser um luxo para poucos e virou realidade para muitos". Segundo o documento da empresa chinesa, não trata-se de um benefício fiscal. "O que a BYD propõe ao Brasil não é um atalho nem uma esperteza fiscal. É uma visão de futuro com veículos mais limpos, mais seguros, mais conectados e com custo-benefício justo. O Presidente deveria ouvir essas cartas — e usá-las como prova de que está no caminho certo. Porque se os dinossauros estão gritando, é sinal de que o meteoro está funcionando", afirma.
Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast "Abrindo o Jogo", que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.



