Itatiaia

Indústria nacional de veículos prevê demissão em massa se governo conceder benefício à empresa chinesa

BYD quer redução de alíquota de importação para desmontados e semi-desmontados; pedido deve ser analisado pelo governo em breve

Por
Indústria automobilística prevê demissões com a medida estudada pelo governo Lula
Indústria automobilística prevê demissões com a medida estudada pelo governo Lula • Miguel Ângelo/CNI

A indústria nacional de veículos prevê demissões em massa caso o governo federal reduza a alíquota de importação para os modelos da montadora chinesa BYD, segundo fontes ouvidas pela coluna. O benefício seria aplicado aos chamados veículos Semi Knocked Down (SKD) - que chegam parcialmente desmontados - e Completely Knocked Down (CKD), enviados em peças separadas para montagem no país de destino.

O temor é que a medida seja aprovada ainda nesta semana, durante a próxima reunião da Câmara de Comércio Exterior (Camex), órgão responsável por formular e implementar políticas para o setor.

Apelo à Lula

No último dia 15, as montadoras Volkswagen, Toyota, Stellantis e General Motors enviaram uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alertando que “o ciclo virtuoso de fortalecimento da indústria nacional está sendo colocado em risco e sofrerá forte abalo se for aprovado o incentivo à importação de veículos desmontados para serem finalizados no país”, diz o documento.

Indignação

Já nesta segunda-feira (28), a Associação Brasileira da Indústria de Autopeças (Abipeças) e o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças) enviaram um novo ofício ao presidente e à Camex. “Reiteramos nossa manifestação de profundo inconformismo e contrariedade com o eventual atendimento de pleito tão despropositado para os interesses nacionais”, diz o texto.

O que diz a BYD?

A BYD respondeu à coluna, nesta quarta-feira (30), por meio de nota, que "o incômodo das concorrentes não tem a ver com impostos, nem com montagem, nem com empregos. Tem a ver com a perda de protagonismo. Com o fato de que um novo player chegou oferecendo mais e cobrando menos. Com o fato de que a tecnologia finalmente deixou de ser um luxo para poucos e virou realidade para muitos". Segundo o documento da empresa chinesa, não trata-se de um benefício fiscal. "O que a BYD propõe ao Brasil não é um atalho nem uma esperteza fiscal. É uma visão de futuro com veículos mais limpos, mais seguros, mais conectados e com custo-benefício justo. O Presidente deveria ouvir essas cartas — e usá-las como prova de que está no caminho certo. Porque se os dinossauros estão gritando, é sinal de que o meteoro está funcionando", afirma.

Por

Edilene Lopes é jornalista, cientista política, repórter e colunista da Itatiaia e analista da CNN Brasil. Com experiência em coberturas nacionais e internacionais, tem ampla experiência em entrevistas exclusivas com presidentes da República. Foi eleita a melhor repórter de rádio do Brasil pelo Troféu Mulher Imprensa e também venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados.

Tópicos
 

 

Belo Horizonte