Ex-vice de Jair Bolsonaro chama PEC da 6x1 de eleitoreira e declara voto contra
Senador Hamilton Mourão acredita que após as eleições oposição deve tentar flexibilizar proposta

O senador Hamilton Mourão (Republicanos), vice-presidente durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), classificou a PEC do Fim da Escala 6x1 como eleitoreira e declarou que votará contra a proposta. Mourão evitou comentar a mudança de posição de Flávio Bolsonaro (PL), mas afirmou que manterá a coerência.
“Há um comando de campanha na campanha do Flávio, que deve ter feito uma análise de risco e chegado à conclusão de que era melhor tomar essa atitude. E eu não vou tecer comentários nem críticas à atitude que está sendo tomada pelo meu candidato à Presidência da República”, afirmou.
Segundo o ex-vice-presidente, a oposição deverá tentar flexibilizar a proposta após as eleições. Mourão acredita que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial abriria espaço para rever as regras da jornada de trabalho a partir de 2027, com a posse do novo Congresso Nacional.
“Acho que há condições de a gente buscar fazer desse limão uma limonada. Porque hoje vai ser um limão para o setor de serviços, para a indústria, para o agro, que já têm dificuldade de contratar gente. Vai ficar mais difícil ainda”, afirmou.
Críticas ao governo Lula
Mourão acusou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de utilizar a proposta com objetivos eleitorais. Para o senador, a discussão sobre a redução da jornada de trabalho deveria ter ocorrido em outro momento, sem a pressão da disputa presidencial.
“É lógico que é eleitoreira! Da forma como ela está colocada. Por que o governo não foi discutir isso aí em 2023 e ressuscitou esse assunto ao longo deste ano?”, questionou.
O ex-vice-presidente também criticou a pressão política sobre os parlamentares para aprovar a medida.
“Os deputados que tinham uma eleição à frente estavam praticamente com um revólver encostado na cabeça para votar isso aí”, declarou.
Na avaliação do senador, a proposta poderá provocar efeitos negativos sobre a economia brasileira, especialmente nos setores que dependem de mão de obra intensiva. Mourão citou a baixa produtividade, a informalidade e a dificuldade de contratação de trabalhadores como obstáculos à redução da jornada nos termos apresentados.
“As consequências que advêm da forma como está colocado vão ser perda de produtividade maior ainda, perda de arrecadação, perda do Produto Interno Bruto e desemprego em alguns setores da economia”, afirmou.
Prejuízo de até R$ 33 bilhões no Rio Grande do Sul
Mourão também apresentou estimativas de impacto econômico da proposta sobre o Rio Grande do Sul, estado que representa no Senado. Segundo ele, o fim da escala 6x1 poderá provocar uma redução de até R$ 33 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho, além da perda de milhares de postos de trabalho.
“Trinta e dois, trinta e três bilhões de reais a menos no Produto Interno Bruto num estado que, a partir do ano que vem, tem que voltar a pagar a dívida. 40 mil, 45 mil empregos que poderão ser perdidos nessa brincadeira aí”, declarou.
Questionado se temia desgaste com os eleitores por votar contra uma proposta de forte apelo popular, o ex-vice-presidente descartou qualquer preocupação.
“Não tenho medo. Medo é algo que não faz parte do meu dicionário”, concluiu.
“Eu recebi um mandato do povo do Rio Grande do Sul e procuro exercer defendendo os interesses do povo do Rio Grande do Sul. E vejo claramente que os interesses do povo do Rio Grande do Sul serão prejudicados por essa PEC”, completou Mourão.
Edilene Lopes é jornalista, cientista política, repórter e colunista da Itatiaia e analista da CNN Brasil. Com experiência em coberturas nacionais e internacionais, tem ampla experiência em entrevistas exclusivas com presidentes da República. Foi eleita a melhor repórter de rádio do Brasil pelo Troféu Mulher Imprensa e também venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados.



