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Os erros e acertos de Lula e Flávio no debate da Band

De memes inspirados na novela “A Viagem” a provocações sobre corrupção, confronto entre presidenciáveis foi marcado por ataques e deixou propostas em segundo plano

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Presidente Lula e Flávio Bolsonaro tiveram primeiro confronto frente a frente neste domingo (18)
Presidente Lula e Flávio Bolsonaro tiveram primeiro confronto frente a frente neste domingo (18) • RENATOPIZZUTTO

O senador Flávio Bolsonaro (PL) conseguiu direcionar boa parte dos assuntos discutidos no debate da Band, neste domingo (18). A estratégia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo o presidente nacional do PT, Edinho Silva, era pressionar o adversário a apresentar propostas concretas para o país.

No entanto, em diferentes momentos, foi Flávio quem conduziu o confronto para temas que levaram Lula a responder acusações e rebater provocações, em vez de explorar as entregas do governo e os compromissos para um eventual novo mandato.

As referências de Flávio à lobista Roberta Luchsinger, ao filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, à votação de presos e à redução da maioridade penal deslocaram o debate para temas sensíveis ao petista. Ao explorar suspeitas e controvérsias, o senador tentou associar Lula a episódios negativos, enquanto buscava apresentar uma agenda mais dura na segurança pública. Lula, por sua vez, acabou aceitando parte desse roteiro. Flávio jogou a isca e o presidente, algumas vezes, mordeu. É o famoso “cair na pilha”.

Invertida

Lula, no entanto, também protagonizou uma invertida ao responder à afirmação de Flávio de que 73% dos presos teriam votado no petista. O presidente ironizou: “Eu quero que votem 100%. Até o seu pai”. Em seguida, dirigiu-se ao ex-presidente Jair Bolsonaro: “Bolsonaro, vota em mim, Bolsonaro. Você conhece teu filho, você sabe que eu sou melhor do que ele”. A provocação fez referência à situação judicial do ex-presidente, condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. Bolsonaro está com os direitos políticos suspensos e não pode votar.

Classe C

A concentração em acusações e ataques também reduziu o tempo disponível para Flávio detalhar propostas econômicas, especialmente aquelas voltadas aos trabalhadores autônomos, aos microempreendedores e à classe C, segmentos que sua campanha pretende conquistar. A defesa do enxugamento da máquina pública e do incentivo ao empreendedorismo, apresentada por aliados como um dos principais eixos de sua candidatura, perdeu espaço para o embate pessoal.

A estratégia visual e o meme de “A Viagem”Flávio também apostou em recursos visuais para ampliar a repercussão do confronto. O senador escreveu a palavra “corruPTo” na mão, destacando em entrevista as letras P e T, sigla do Partido dos Trabalhadores, em uma provocação direta ao adversário. A estratégia remete às anotações utilizadas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro nas campanhas presidenciais de 2018 e 2022 e reforça uma marca de comunicação política da família.

Meme

Na estética do debate, Flávio procurou permanecer no enquadramento das câmeras enquanto Lula falava, exibindo expressões de sarcasmo. A postura acabou gerando comparações nas redes sociais com a novela A Viagem, exibida originalmente pela TV Globo em 1994. Na trama, o espírito de Alexandre, interpretado por Guilherme Fontes, atormentava personagens como Téo, vivido por Maurício Mattar, em uma história marcada por vingança e obsessão.

Aposta e risco

A movimentação pode ter sido uma tentativa de interferir nos cortes das falas de Lula que seriam posteriormente distribuídos nas redes sociais. Mas a estratégia também apresenta riscos: ao aparecer repetidamente atrás do adversário, Flávio abriu espaço para que a própria imagem fosse transformada em meme. Nesse caso, o recurso visual que poderia constranger o presidente também acabou servindo de munição para os adversários do senador.

O voto secreto e a direita envergonhada

Nas considerações finais, Flávio fez um apelo direto ao eleitorado de direita, mas a referência ao voto secreto abriu margem para diferentes interpretações. O senador lembrou que o voto é secreto e que ninguém saberia em quem cada pessoa votou.

A declaração pode ser compreendida como uma tentativa de alcançar eleitores que não manifestam publicamente suas preferências políticas. Ao mesmo tempo, a formulação permite a interpretação de que o apoio à candidatura seria algo a ser mantido em sigilo. O argumento remete ao chamado voto silencioso, fenômeno frequentemente discutido em campanhas eleitorais.

Custo de vida

Lula, por sua vez, abordou nas considerações finais a relação entre o preço da energia elétrica e a privatização da Eletrobras, realizada em 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro. A escolha do tema está relacionada ao custo de vida, um dos principais assuntos da campanha petista, que tenta associar os resultados econômicos do governo à melhoria das condições de vida da população.

A privatização da Eletrobras foi concluída em junho de 2022, por meio de um processo de capitalização que reduziu a participação votante da União na companhia.

STF

Apesar do protagonismo do Supremo Tribunal Federal (STF) nos embates políticos dos últimos anos, a atuação da Corte não esteve entre os principais assuntos do debate da Band, neste domingo (18). O ministro André Mendonça, indicado ao Supremo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, foi citado por Lula durante o debate, mas Flávio não rendeu a conversa.

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Edilene Lopes é jornalista, cientista política, repórter e colunista da Itatiaia e analista da CNN Brasil. Com experiência em coberturas nacionais e internacionais, tem ampla experiência em entrevistas exclusivas com presidentes da República. Foi eleita a melhor repórter de rádio do Brasil pelo Troféu Mulher Imprensa e também venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados.

 

 

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