Eleições municipais escancaram desafios das federações
Em BH, com duas pré-candidatas em alianças com outros dois concorrentes diferentes, a federação PSOL/Rede protagoniza a amostra de conflitos da nova modalidade

As eleições municipais estão escancarando a completa falta de unidade dentro das federações partidárias. A necessidade dos partidos de manter candidaturas próprias e a dificuldade de entrar em consenso sobre as composições deve ditar o tom da corrida pelas prefeituras. Em BH, por exemplo, a federação PSOL/Rede inaugurou um racha público depois que a deputada estadual Bella Gonçalves (PSOL), pré-candidata à PBH, anúnciou uma aliança com o PT,em uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o deputado federal Rogério Correia, também pré-candidato.
Indignada por não ter sido consultada sobre o acordo, a pré-candidata do Rede, deputada estadual Ana Paula Siqueira, com aval da ministra Mariana Silva, anúnciou aliança com outra pré-candidata da esquerda, a deputada federal Duda Salabert (PDT).
Até o momento, ninguém fala em retirar a candidatura. Duda afirmou que se manterá no pleito, assim como a nova aliada, Ana Paula Siquerira. Bella mantém a candidatura, mas nos bastidores da sigla e entre aliados a informações é de que ele a deve desistir.
O que todos esses pré-candidatos têm em comum é que são potenciais candidatos também em 2026. Por isso, participar das eleições municipais pra eles segue sendo um "jogo de ganha-ganha", como dizia a própria Marina.
Mesmo que não se mantenham no pleito até as eleições, participar da disputa utilizando o último prazo possível para a retirada da candidatura, é uma forma de não cair no esquecimento, cacifcar o próprio nome para 2026, fortalecer o nome do partido e barganhar algum lugar de destaque na chapa ou o governo alheio.
Neste aspecto, as eleições de 2024, as primeiras municipais após a criação das federações partidárias, estão mostrando que a nova modalidade serviu apenas para garantir que as legendas menores superessem a cláusula de barreira e o risco de extinção. Na prática, a integração das agremiações não tem funcionado e o sistema interno de decisão, por óbvio, ficou mais complexo que dentro dos partidos.
Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast "Abrindo o Jogo", que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.



