Infecção urinária: o problema é quando sobe para os rins!
Ao notar os primeiros sintomas urinários, não espere piorar: procure avaliação médica

A infecção do trato urinário é uma ocorrência de saúde muito comum e, geralmente, de pouca gravidade. O problema agrava-se quando o paciente apresenta sintomas e não busca auxílio médico, o que pode levar à subida da bactéria para os rins — gerando a pielonefrite — ou a uma infecção generalizada (sepse), que pode ser fatal. Embora alguns casos leves possam apresentar melhora sem antibióticos, a orientação médica é indispensável para evitar complicações.
O mal-estar costuma ter início com sintomas muito característicos, tais como:
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Ardência e dor ao urinar
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Aumento da frequência urinária (mais idas ao banheiro, muitas vezes com pouca urina)
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Sensação de esvaziamento incompleto da bexiga
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Dor na parte inferior do abdômen e urgência para urinar
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Urina turva, com cheiro forte ou sangramento discreto
O risco de agravamento acontece quando esses sinais passam despercebidos e o paciente só busca ajuda quando a infecção já atingiu os rins, o que pode exigir internação hospitalar. Vale ressaltar que idosos e crianças muito pequenas não costumam apresentar os sintomas clássicos. Nesses grupos, deve-se atentar para:
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Sonolência e prostração
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Alterações de comportamento ou confusão mental
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Inapetência (falta de apetite)
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Queda do estado geral de saúde
Quando o problema deixa de ser exclusivo da bexiga (cistite) e atinge os rins, novos sintomas surgem e servem de alerta máximo.
Sinais que indicam gravidade (pielonefrite):
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Febre alta
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Calafrios intensos
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Náuseas e vômitos
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Dor lombar (geralmente em um dos lados das costas)
Quais são as causas da doença?
Na maior parte das vezes, as bactérias são as responsáveis, embora fungos também possam gerar sintomas parecidos. Em cerca de 80% dos casos, a bactéria Escherichia coli é a causadora do quadro. Outros agentes comuns são: Staphylococcus saprophyticus, Enterococcus faecalis, Proteus mirabilis e Klebsiella. A presença dessas duas últimas, inclusive, pode levantar suspeita de cálculos renais (pedras nos rins), que devem ser investigados por exames de imagem.
Como diagnosticar a doença?
A identificação é simples e feita por meio da coleta de uma amostra de urina. A recomendação ideal é colher a primeira urina da manhã, logo após realizar a higiene íntima. Deve-se desprezar o primeiro jato no vaso sanitário e coletar o jato médio diretamente no frasco esterilizado.
A partir desse material, são realizados dois exames principais:
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EAS (urina rotina): analisa as características gerais da urina e sinais de inflamação.
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Urocultura com antibiograma: identifica a bactéria exata e indica qual antibiótico é o mais adequado para o tratamento.
Se houver suspeita de que o quadro atingiu os rins, exames de imagem de urgência (como ultrassonografia ou tomografia) podem ser necessários no ambiente hospitalar.
Quem corre mais risco?
As mulheres são mais vulneráveis às infecções de bexiga. De acordo com a Sociedade Brasileira de Nefrologia, isso ocorre devido à própria anatomia feminina: a uretra é mais curta e há uma maior proximidade entre a vagina e o ânus, o que facilita o caminho das bactérias.
Já nos homens, o problema é menos comum e costuma surgir sobretudo após os 50 anos, geralmente associado a alterações e ao crescimento da próstata.
Principais fatores de risco:
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Ser do sexo feminino
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Segurar a urina por longos períodos
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Não ingerir a quantidade adequada de líquidos
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Ter cálculos renais (pedras nos rins) ou diabetes
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Atividade sexual e uso de espermicidas
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Gravidez e menopausa
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Constipação intestinal (prisão de ventre)
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Uso de sonda urinária (cateter)
Como prevenir?
A Sociedade Brasileira de Urologia recomenda medidas práticas para o dia a dia:
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Beba bastante água ao longo do dia.
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Não segure a urina quando sentir vontade de ir ao banheiro.
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Evite duchas vaginais internas, que desequilibram a flora protetora.
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Atenção à higiene: o correto é lavar a região com água após evacuar. Se usar papel higiênico, o movimento deve ser sempre da frente (vagina) para trás (ânus), nunca o contrário, para não arrastar bactérias.
Mulheres que apresentam infecções de bexiga recorrentes (várias vezes ao ano) devem realizar acompanhamento regular com um urologista para investigar e tratar as causas de base.
🚨 Vale o alerta! Ao notar os primeiros sintomas urinários, não espere piorar: procure avaliação médica.
Fabiana de Lemos é jornalista e médica. Membro da Sociedade Brasileira de Clínica Médica. Trabalhou no Caderno Gerais do Jornal Estado de Minas, de 1997 a 2003. Foi concursada da Prefeitura de Belo Horizonte e atuou como médica no SUS, de 2012 a 2018. Foi professora de Medicina pelo UniBH, até 2023. Atualmente, atende em consultório.



