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El Niño e julho

O planeta cada dia dá sinais que está sofrendo e que medidas de salvação devem ser tomadas rápido para o bem de toda a existência e também da humanidade

Julho foi um dos invernos mais quentes que já aconteceram nos últimos anos. A temperatura foi cerca de 1,5 °C mais quente desde meados do século XIX. Uma das causas desse aumento seria o fenômeno do El Niño, que é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, com grandes mudanças no clima, modificando temporariamente a distribuição de umidade e calor no planeta, principalmente na zona tropical.

Esse fenômeno ocorre de cinco a sete anos e sua duração é de aproximadamente de um ano e meio. Ele causa aumento de temperaturas, chuvas intensas em alguns lugares do planeta e em outros o tempo fica seco e quente.

Aqui no Brasil, estamos enfrentando um aumento da temperatura no inverno, com uma seca prolongada e uma baixa umidade do ar, ocasionando doenças respiratórias em pessoas propensas à isso.

Aliado ao El Niño, tivemos ainda o aumento de 1,5°C da temperatura, com isso os verões serão mais quentes podendo ocasionar uma elevação nas águas oceânicas, promovendo uma modificação na flora e fauna marinha, com alteração de fitoplancton, influenciando até mesmo no consumo de peixes e frutos do mar por nós. Agora, em julho foi confirmado o aumento da temperatura dos oceanos, com a ameaça à vida marinha.

Também ocorre um aumento da temperatura terrestre com fortes ondas de calor, podendo até mesmo serem mortais, com ação direta na criação de animais, na produção de alimentos e plantação de cereais, frutas, hortaliças e outros, com consequências para a alimentação da humanidade. Há registros que o verão europeu está mais quente que o ano passado e houve incêndios espontâneos em vários países como Itália, Espanha, França e outros.

Conforme divulgação pelo Serviço de Mudanças Climáticas da União Européia esse aumento da temperatura é muito significativo, os cientistas consideram grandes chances de incêndios, inundações e escassez de alimentos, tornando a existência humana muito desconfortável e desfavorável.

Diante desse fato atual e real, o ser humano já passou da hora de conscientizar que ações concretas devem ser tomadas e praticadas; não é mais suportado o “varrer das calçadas, utilizando água”, não pode mais jogar cigarro aceso em mata seca, jogar lixo na rua e pelas estradas. Temos que usar mais e mais material reciclado e evitar o desperdício de alimentos. E modificar nossos costumes por uma vida mais sustentável e menos consumista.

O planeta cada dia dá sinais que está sofrendo e que medidas de salvação devem ser tomadas rápido para o bem de toda a existência e também da humanidade.

Cristiana Nepomuceno é bióloga, advogada, pós-graduada em Gestão Pública, mestre em Direito Ambiental. É autora e organizadora de livros e artigos.
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