Zema é pressionado a desistir para apoiar Flávio Bolsonaro
Em vários estados, o Novo forçou o ex-governador mineiro a liberar candidatos da legenda para apoio ao bolsonarista, já no primeiro turno. Em Minas, Zema não deu o mesmo sinal verde a Mateus Simões, que disputa com Flávio Roscoe e Cleitinho uma fatia desse eleitorado

Com 1% da intenção de voto nas pesquisas para a Presidência da República, o ex-governador Romeu Zema (Novo) está sob pressão para desistir em apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em vários estados, Romeu Zema for forçado a autorizar que candidatos do Novo declarem voto em Flávio Bolsonaro.
Mas, aqui em Minas, Zema não deu o mesmo sinal verde ao governador Mateus Simões (PSD), que, embora preso ao compromisso político com Zema, precisa de tração na reta final para tentar alcançar o segundo turno. Os votos do bolsonarismo se dividem na disputa mineira entre Flávio Roscoe (PL), que é o candidato de Flávio Bolsonaro em Minas, e Cleitinho, que atraiu parte desse eleitorado. Neste momento, Cleitinho lidera, segundo a mais recente pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta segunda, 28, com 38% das intenções de voto, seguido pelo deputado federal Patrus Ananias (PT), com 20%.
O ex-prefeito Alexandre Kalil (PDT) registra 9%, Flávio Roscoe e Mateus Simões (PSD), 8% cada. E o ex-presidente da Câmara Municipal, Gabriel Azevedo (MDB) tem 5%.
Nesta reta final, os candidatos à direita, que tentam superar Patrus Ananias e alcançar o segundo turno contra Cleitinho, buscam votos na base bolsonarista. É o caso de Mateus Simões. Para entrar nesse jogo, a campanha do governador mineiro entende que ele precisa abandonar Romeu Zema, que chega a pontuar apenas 2% das intenções de voto em algumas pesquisas. O candidato do Novo ao Senado, Marco Antonio Superman, abriu alas e já declarou apoio a Flávio Bolsonaro. O entorno de Mateus Simões chega a classificar de “fogo amigo” a posição de Romeu Zema, que ainda não abriu espaço para que o governador faça o mesmo.
Em política, esse abandono de aliados tem nome: chama-se cristianização. Não tem nada a ver com conversão religiosa. Tem a ver com Cristiano Machado, prefeito de Belo Horizonte entre 1926 e 1929. Cristiano Machado concorreu em 1950 à Presidência da República pelo então PSD. Em seu mesmo campo político, estava o principal adversário dele, o popular Getúlio Vargas, que disputava pelo PTB. A UDN era a adversária de ambos naquele período.
Quando os aliados do PSD de Cristiano Machado perceberam que a candidatura dele não decolava, migraram o apoio para Getúlio Vargas, que foi eleito. Abandonado naquelas eleições de 1950 por seus aliados do PSD, Cristiano Machado, que dá nome a uma avenida na capital mineira, tornou-se também base para o verbo e o substantivo “cristianizar”: significa a traição ou o esvaziamento interno de uma candidatura.
Jornalista, doutora em Ciência Política e pesquisadora


