Numa eleição tão apertada, será que o comparecimento cresce?
Entre 1989, primeiro eleição presidencial após o golpe de 64, e as eleições gerais de 2022, a abstenção aumentou, entre ciclos de baixa e maior alta. Mulheres comparecem mais do que homens. E a idade é fator que impacta: a partir dos 65 anos e, sobretudo, 70 anos, a participação política eleitoral cai

Desde a redemocratização do país, com a primeira eleição direta para presidente da República em 1989, 25 anos após o golpe de 1964, o comparecimento às urnas vem caindo no Brasil, com momentos de maior baixa e de maior alta. Em 1989, 88,07% dos eleitores brasileiros foram votar. Já em 1994, na primeira eleição presidencial depois do impeachment de Fernando Collor de Mello, a participação caiu para 75,16%.
Nas três eleições gerais seguintes, entre 1998 e 2006, a participação política eleitoral cresceu, nessa ordem, com 78,51%, 82,26% e 83,25% dos eleitores comparecendo para a votação. A partir de 2010 até 2022, o comparecimento foi declinante no país: 81,88% do eleitorado registraram o voto no pleito de 2010; em 2014, foram 80,61%; em 2018, 79,67%; e em 2022, 79,07%.
Mulheres gostam de política e votam mais do que os homens. Em 2024, nas eleições municipais realizadas em todo o Brasil, o comparecimento de mulheres foi de 79,23% e o de homens, de 77,33%. De forma análoga, também no pleito presidencial de 2022, 80,20% das eleitoras brasileiras foram às urnas; 78,13% dos eleitores homens participaram no dia da votação. Esta é uma tendência que se mantém ao longo das últimas décadas (TSE).
Há, contudo, uma outra variável que impacta a abstenção: a idade. Em 2022, os mais baixos indicadores de abstenção ocorreram entre eleitores cadastrados de 16 anos e 17 anos, respectivamente 16,22% e 17,66%, contra a média de 20,93% registrada no conjunto do eleitorado. Naquele pleito, entre eleitores de 18 anos, a abstenção atingiu o menor patamar entre todas as demais faixas: 13,62%.
Entre eleitores de 19 anos, 20 anos e na faixa de 21 a 23 anos, a participação caiu um pouco em relação aos mais jovens. Mas voltou a subir entre as faixas etárias de 25 a 29 anos até o grupo de 60 a 64 anos, em que o comparecimento saiu de 77,55% até alcançar 87,33%. A tendência foi inversa a partir dos 65 anos. No grupo de eleitores de 65 a 69 anos, o comparecimento declinou para 83,71%, caindo drasticamente para 61,02% entre eleitores de 70 a 74 anos e para 26,98% entre eleitores de 80 a 84 anos.
No Brasil, o voto é obrigatório para maiores de 18 anos e facultativo para os analfabetos, jovens de 16 e 17 anos e maiores de 70 anos. Cidadãos com mais de 70 anos são mais de 17 milhões, que representam um em cada 10 eleitores. Por isso, nesta reta final, as campanhas políticas estão de olho nessa faixa etária.
Voto é direito e, participar, também significa interferir em políticas que dizem respeito aos interesses de cada um. Numa eleição tão apertada, podem ser os idosos que terão, na ponta dos dedos, a resposta de quem será o futuro presidente da República.
Jornalista, doutora em Ciência Política e pesquisadora


