Datafolha e Quaest apontam tendências ou oscilações na sucessão mineira?
Realizadas dois períodos sequenciais, as duas pesquisas registram oscilações de desempenho das candidaturas, esperadas na metodologia de survey, num cenário em que Cleitinho lidera e cinco concorrem pelo segundo turno. Será na evolução dos dados, após o início da propaganda política, que as oscilações poderão ser confirmadas ou descartadas como tendências

As pesquisas Datafolha e Quaest, realizadas entre 18 e 20 de agosto e entre 21 e 24 de agosto apontam para o mesmo cenário de incerteza na disputa ao governo de Minas, sobretudo em relação à segunda posição da corrida: cinco candidaturas concorrem em situação de empate técnico ou com diferenças pequenas entre si. Entre uma pesquisa e outra, o deputado federal Patrus Ananias (PT) oscilou de 12% para 11% das intenções de voto dentro das margens de erro dos levantamentos. Também o ex-prefeito Alexandre Kalil (PDT) oscilou de 12% para 10% das preferências. Entre os dois levantamentos, o governador Mateus Simões (PSD) vai de 4% para 7% das intenções de voto. Gabriel Azevedo (MDB) oscila positivamente de 4% para 5%. Flávio Roscoe (PL) tem uma oscilação negativa de 4% para 3%.
Cleitinho Azevedo (Republicanos), que lidera a corrida, registra no Datafolha 32% e, na Quaest, 29% das intenções de voto. A diferença entre Cleitinho e Patrus, segundo colocado numericamente à frente da corrida ao governo de Minas, que no Datafolha era de 20 pontos percentuais, na Quaest está em 18 pontos percentuais.
Ainda que tivessem sido realizados no mesmo dia, são esperadas oscilações dentro das margens de erro das estimativas extraídas des levantamentos de campo usando a metodologia de survey. Para a Datafolha e a Quaest, a margem de erro máxima informada é de 3 pontos percentuais e se aplica para a variação máxima é de 50%, é o ponto exato onde a incerteza de uma resposta binária – por exemplo "sim ou não" ou a escolha entre preferência por “João ou Pedro” - atinge o seu maior valor matemático. O cálculo da margem de erro de cada candidato é feito individualmente, e é diferente para cada estimativa. Na Quaest a margem de erro das candidaturas que concorrem ao governo de Minas varia de 0,9 ponto percentual no caso da estimativa de 3% das intenções de voto de Flávio Roscoe para 2,3 pontos percentuais para a estimativa de Cleitinho de 29% das preferências.
Com 11% das intenções de voto, a margem de erro de Patrus Ananias é de mais ou menos 1,6 ponto percentual. A de Alexandre Kalil, que tem 10%, é de +/- 1,5 ponto percentual. Com 7% das intenções de voto a margem de erro de Mateus Simões é de +/- 1,3 ponto percentual. Gabriel tem 5% das intenções de voto e margem de erro da estatística estimada em +/- 1,1 ponto percentual.
Até aqui, Datafolha e Quaest estão apontando oscilações. Será na evolução dos dados, em particular na primeira semana após 28 de agosto, início da propaganda política, é que oscilações poderão ser confirmadas ou descartadas como tendências. Até aqui Cleitinho lidera a corrida. Cinco candidaturas lutam por um lugar ao sol com diferentes trações e recursos. Patrus absorve o respaldo do lulismo e espera, com a propaganda política, reforçar a sua associação com Lula. Encostado em Patrus está Alexandre Kalil. Mateus Simões está por um lado, em empate técnico com Kalil e, por outro, em empate técnico com Gabriel Azevedo. Flávio Roscoe enfrenta defecções no bolsonarismo, que migraram para a campanha de Cleitinho. Mas, aposta que ao se tornar mais conhecido, será associado como o candidato de Flávio Bolsonaro, o que poderá resultar em transferência de votos. Até aqui são todas possibilidades no segundo maior colégio eleitoral e retrato do Brasil.
Jornalista, doutora em Ciência Política e pesquisadora


