As múltiplas faces do PSD
Legenda terá candidaturas de oposição ao governo Lula para a presidência da República e ao governo de Minas, embora siga com dois ministérios na Esplanada

O PSD de Gilberto Kassab indicou o governador de Goiás, Ronaldo Caiado para concorrer à Presidência da República, mas o partido continua no governo Lula e, em Minas Gerais, o governador Mateus Simões (PSD) tem diante de si dois palanques de presidenciáveis: o de Ronaldo Caiado e o do ex-governador Romeu Zema.
Apesar disso, quem Mateus Simões gostaria de apoiar, dentro da perspectiva de “unificar” o campo bolsonarista, é o senador Flávio Bolsonaro (PL). Só que o PL de Flávio Bolsonaro inclina-se ao apoio ao senador Cleitinho (Republicanos), a quem Mateus Simões ainda não desistiu de retirar da disputa.
Ao mesmo tempo o PL tem duas opções de candidatura própria e de eventual composição: o empresário Flávio Roscoe, que deixa a presidência da Fiemg esta semana para se filiar ao PL e o ex-prefeito de Betim, Vitorio Mediolli, que já está na legenda. Ainda no PL, o deputado federal Nikolas Ferreira trabalha para levar o partido ao apoio ao governador do PSD.
Mateus Simões e Ronaldo Caiado, duas candidaturas de oposição ao governo federal, têm diante de si a contradição: Alexandre Silveira (PSD), secretário nacional do PSD, não será candidato ao Senado e seguirá à frente do Ministério das Minas e Energia. E não só ele. Também André de Paula, do PSD, foi deslocado do Ministério da Pesca para o Ministério da Agricultura e Pecuária. Assim, nas campanhas nacional e de Minas, o PSD estará na oposição ao governo Lula, do qual participa.
Com Alexandre Silveira fora da corrida em Minas, a ex-prefeita Marília Campos é a única pré-candidata ao Senado Federal no campo de Lula. Ao mesmo tempo, há sinais do senador Rodrigo Pacheco, que ainda no PSD, de que irá se filiar a outro partido até 4 de abril, prazo legal para que candidatos mudem de legenda. O caminho mais provável de Rodrigo Pacheco é o PSB, onde estão o vice-presidente da República Geraldo Alckmin e a ex-ministra do Planejamento, Simone Tebet, pré-candidata ao Senado por São Paulo. Embora a filiação de Pacheco seja esperada, o anúncio formal de sua candidatura não deve ocorrer imediatamente.
Jornalista, doutora em Ciência Política e pesquisadora