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Bertha Maakaroun | O que esperar da queda de braço entre Alcolumbre e Lula?

Aconselhado por Rodrigo Pacheco e Otto Alencar, Alcolumbre cancelou a sabatina de Jorge Messias na CCJ, que seria 10 de dezembro. Indicado ao STF ainda não tem os votos no Senado

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Jorge Messias, indicado de Lula ao STF
Jorge Messias, indicado de Lula ao STF • Emanuelle Sena / AGU

Alcolumbre pretendia manter o cronograma, mesmo sem a mensagem presidencial. Quem interferiu para distensionar o impasse foi o senador Rodrigo Pacheco (PSD) e o senador Otto Alencar (PSD-BA). Ambos aconselharam Alcolumbre a não criar um precedente na tramitação regimental da indicação, o que poderia levar a questionamentos futuros de eventuais vícios no trâmite desse processo. Alcolumbre cancelou a sabatina, mantendo duras críticas ao presidente Lula.

Jorge Messias e a articulação do governo Lula ganham tempo para trabalhar os 41 votos de 81 senadores que Messias precisará no Senado para aprovar a sua indicação. E Lula já avisou por meio do relator da indicação, Weverton Rocha (PDT-MA) que irá procurar Alcolumbre em seu retorno da viagem ao Nordeste, o que deve acontecer até o início da semana que vem.

Jorge Messias tem trabalhado a Frente Parlamentar Evangélica no Senado, que tem 26 senadores, para sensibilizá-los. Religião e política, não é uma boa mistura, mas, ela está predominando na política brasileira. Esses senadores têm afirmado que vivem o dilema: apoiar o irmão evangélico de fé ou rejeitar o nome associado à esquerda indicado por Lula. Muitos parlamentares dessa frente, que são do PL e de oposição a Lula, ainda estão processando essa indicação. Nas voltas que a política dá, quem tem apoiado Messias, é o ministro do STF, André Mendonça, aquele “terrivelmente evangélico” indicado por Jair Bolsonaro (PL). Ao mesmo tempo que com o adiamento da sabatina o governo Lula e Messias ganham tempo para reverter os ânimos no Senado; por outro lado, David Alcolumbre mantém o controle do processo, pois é prerrogativa do presidente do Senado apresentar o cronograma da sabatina e tramitação. Alcolumbre poderá empurrar esse prazo para depois das eleições em 2026, deixando que tramitação fique ainda mais contaminada pela disputa política.