Bertha Maakaroun | Centrão põe Flávio Bolsonaro em fogo brando
Sem Tarcísio de Freitas na disputa à Presidência da República, o bloco de partidos que integra o Centrão tende a caminhar com menos coesão, segundo os interesses das disputas estaduais

Desde que anunciou que será o nome de Jair Bolsonaro na disputa presidencial, o discurso de Flávio Bolsonaro teve idas e vindas. Chegou a declarar que a sua candidatura teria um “preço”, sugerindo que tal preço seria a aprovação da anistia ampla pelo Congresso Nacional. Mas isso, não vai acontecer. O deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), relator do projeto de lei da Dosimetria, descartou nesta segunda-feira a anistia ao ex-presidente e a outros envolvidos na trama golpista. Disse que se não houver acordo para que o seu projeto de redução de penas seja aprovado sem emendas, não será votado. Além de reiterar que não haverá anistia ampla, Paulinho afirmou em vídeo nas redes sociais, que a redução de penas soltaria todas aquelas pessoas presas em 8 de janeiro. Devolveu a bola para a família Bolsonaro: é pegar ou assumir o desgaste com aqueles que estão presos até hoje.
A definição por Flávio Bolsonaro era esperada: Jair Bolsonaro nunca considerou apoio a qualquer outro nome fora de sua família, porque não cogita entregar o seu capital político para um terceiro sobre o qual não terá controle integral. Na hipótese de Flávio não ganhar as eleições em 2026, terá visibilidade e poderá se consolidar como o sucessor deste campo, o que pode por fim ao sonho de Tarcísio, inclusive para 2030. O Centrão apostou na carona. Bolsonaro deixou todos na estrada. É o preço que paga a autointitulada direita brasileira, que se associou ao bolsonarismo, abraçando até mesmo as mais constrangedoras narrativas.
Jornalista, doutora em Ciência Política e pesquisadora


