Treinos com IA: uso de chatbots cresce, mas profissionais apontam riscos
Professor de Educação Física indicou que a IA pode auxiliar em algumas coisas, mas nunca substituir o profissional

O uso da inteligência artificial em tarefas do dia a dia está se tornando cada vez mais comum. Com o aumento da procura por um estilo de vida saudável, chatbots como o ChatGPT, o Gemini e o Claude, por exemplo, tem sido utilizados até mesmo para montar treinos individualizados para academia.
Segundo o professor de Educação Física do Centro Universitário Una, Wantuil Ferreira de Paula Filho, a IA pode ajudar e é uma ferramenta interessante.
"Ela pode fazer ideias de treino, ajudar na organização da rotina e até lembrar a pessoa de ir treinar no dia a dia", afirmou o professor. No entanto, para ele, o problema é quando ela passa a ser vista como substituto do profissional.
"Porque os ajustes finos que realmente fazem diferença no resultado dependem de técnica, vivência e avaliação individual. Por exemplo, ajustar a carga certa para aquele aluno, corrigir a execução de um movimento, adaptar um exercício por dor ou limitação, controlar o volume de treino ou até reduzir a intensidade em um dia de maior fadiga", explicou.
"São esses detalhes que fazem o treino dar resultado e isso só o profissional consegue fazer", acrescentou.
Outro problema da IA, para o professor, é que ela não respeita a individualidade biológica da pessoa.
"Cada corpo responde de uma forma diferente ao exercício, seja pela genética, nível de condicionamento físico, histórico de lesões ou até pela própria rotina da pessoa. E a IA não consegue avaliar isso na prática", explicou.
"Além disso, ela não vê o movimento sendo executado, ela não consegue analisar se o aluno está executando certo, nem se aquele exercício é o mais adequado para aquele corpo", completou.
Vantagens do acompanhamento profissional
Wantuil afirmou que a grande vantagem de ser acompanhado por um profissional é que ele torna o treino mais eficiente e seguro, uma vez que ele acompanha e interfere na execução e também na motivação.
"Ou seja, o profissional transforma o treino em algo ajustado, seguro e com mais chances de ter resultado", disse.
Não consigo pagar um personal trainer. E agora?
Para quem não tem condições de contratar um profissional, o professor indicou que o mais importante é focar no básico, com exercícios simples, sempre prestando atenção na execução, respeitando limites e evitando exageros.
Procurar um ambiente onde há profissionais capacitados e acessíveis também é um bom começo. "A maioria das academias sempre tem um professor no salão, justamente por orientar aqueles alunos que não tem acompanhamento de personal [trainer]", disse.
É importante perguntar o porquê de cada exercício ao profissional, dessa forma, a pessoa tem ciência e executa melhor os exercícios. "No fim das contas, não é só fazer o treino, é entender o que está sendo feito", concluiu.
Formada pela PUC Minas, Maria Fernanda Ramos é repórter das editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo na Itatiaia. Antes, passou pelo portal R7, da Record.



