Estrelas com mais de 10 bilhões de anos trazem revelações sobre origem da Via Láctea
Pesquisa comandada por equipe da USP traçou a idade de estrelas para entender origens da galáxia

Cientistas da Universidade de São Paulo (USP) produziram estimativas da idade de estrelas com combinação de dados de telescópios sobre composição química, temperatura e distância da Terra.
As análises identificaram estrelas com idade superior a 10 bilhões de anos, e que seriam anteriores à fusão de galáxias que teria dado origem ao disco fino, área mais concentrada da Via Láctea. O estudo é descrito em artigo da publicação científica The Astrophysical Journal.
“No Universo, as galáxias podem apresentar diferentes formatos”, afirmou a pesquisadora Lais Borbolato ao Jornal da USP. “Existem galáxias elípticas, que têm uma forma mais esférica, galáxias irregulares, que não possuem um formato bem definido, e galáxias espirais, que apresentam uma estrutura achatada, semelhante ao formato de um disco”, explicou.
“A Via Láctea é uma galáxia do tipo espiral, o que significa que a maior parte de suas estrelas está distribuída em uma grande estrutura achatada. O Sol é uma dessas estrelas e, portanto, nós também estamos localizados dentro desse disco galáctico”, continuou a pesquisadora.
De acordo com Lais Borbolato, a diferença entre os discos da Via Láctea está na composição química das estrelas, em seus movimentos e na forma como estão distribuídas no espaço.
“De maneira simplificada, podemos imaginar esses dois componentes como dois discos sobrepostos”, observou. “O disco espesso é, como o nome indica, mais “grosso” verticalmente e está mais concentrado nas regiões internas da galáxia, ou seja, não se estende tanto para longe do centro. Já o disco fino é mais achatado e se espalha por distâncias maiores”.
“Por fim, há diferenças também na cinemática, isto é, no movimento das estrelas. Embora todas orbitem o centro da galáxia, as estrelas do disco espesso se movem com velocidades intermediárias e em órbitas menos circulares. Em contraste, as estrelas do disco fino, como o Sol, apresentam velocidades maiores e órbitas mais próximas de círculos”, finalizou
Gustavo Monteiro é estagiário do Portal Itatiaia e estudante de jornalismo na UFMG. Natural de Santos-SP, possui passagens pela Revista B&R e Secretaria do Estado de Minas de Comunicação Social.



