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Cimento verde e película de frutas: como rejeitos viram inovação sustentável

Pesquisadores da UFMG transformam resíduos da mineração em materiais de construção e desenvolvem resina que reduz desperdício de alimentos em 30%

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Grupo do Departamento de Química desenvolve soluções para a indústria reaproveitando resíduos e economizando recursos naturais • Reprodução / TV UFMG

Rejeitos de mineração que iriam para barragens agora se transformam em pisos e revestimentos resistentes. Resíduos da siderurgia viram alternativa ao cimento convencional. Uma película invisível prolonga a vida útil de frutas e evita que 30% da produção se perca antes de chegar ao consumidor.

Essas soluções nasceram no Escalab - Centro de Desenvolvimento de Soluções para a Indústria da UFMG, criado por pesquisadores do Departamento de Química em parceria com o CIT-Senai. O centro conecta ciência universitária e aplicação industrial para enfrentar um desafio recorrente no Brasil: transformar descobertas acadêmicas em tecnologias que realmente chegam ao mercado e resolvem problemas reais.

O problema que a ciência brasileira enfrenta para virar solução

A distância entre laboratório e indústria é um dos maiores obstáculos da inovação no país. Pesquisas avançadas ficam presas em papers enquanto empresas buscam tecnologias prontas para implementar.

O Escalab foi desenhado para preencher exatamente essa lacuna. Reúne pesquisadores, estudantes e profissionais de diferentes áreas para desenvolver tecnologias, validar processos industriais e estruturar modelos de negócio.

Essa abordagem facilita a chegada das inovações ao mercado. A parceria com o CIT-Senai garante infraestrutura para testes em escala industrial e conexão direta com setores produtivos.

Geopolímeros: a tecnologia que transforma rejeito em cimento verde

A startup GeoCycle, desenvolvida com apoio do Escalab, criou uma solução para dois problemas simultâneos: destinação de rejeitos industriais e emissões de carbono na construção civil.

A tecnologia transforma resíduos da mineração e da siderurgia em geopolímeros- materiais conhecidos como cimento verde. Esses rejeitos, que normalmente seriam depositados em barragens ou áreas de descarte, viram matéria-prima para produtos de construção.

Com os geopolímeros é possível fabricar pisos intertravados, revestimentos e estruturas resistentes à corrosão. A grande vantagem ambiental: redução de até 50% nas emissões de dióxido de carbono em comparação com o cimento convencional.

Além de diminuir emissões, a solução promove economia circular ao reaproveitar resíduos que teriam destinação problemática. O que era passivo ambiental se transforma em produto com valor comercial.

Como a resina nanotecnológica protege frutas e reduz perdas

No setor agrícola, a startup NanoFood atacou um problema que gera prejuízos bilionários: a deterioração de alimentos após a colheita.

A solução desenvolvida é uma resina nanotecnológica biodegradável, atóxica e comestível. Aplicada sobre as frutas, forma uma película protetora invisível que atua em três frentes simultâneas.

Reduz a perda de água dos alimentos, mantendo textura e frescor por mais tempo. Retarda a oxidação, processo natural que escurece e deteriora a polpa. Protege contra fungos e bactérias, os principais responsáveis pela decomposição.

O resultado prático: aumento significativo da vida útil das frutas após a colheita. Isso responde a um dado alarmante do setor no Brasil.

O desperdício de 30% da produção de frutas no Brasil

O Brasil ocupa a posição de terceiro maior produtor de frutas do mundo. Mas aproximadamente 30% dessa produção se perde por deterioração antes de chegar ao consumidor final.

Esse desperdício representa prejuízo econômico direto para produtores e atravessadores. Mais grave: significa uso desnecessário de água, terra, fertilizantes e trabalho humano em alimentos que nunca serão consumidos.

Ao ampliar o tempo de conservação, a tecnologia da NanoFood contribui para reduzir essas perdas em toda a cadeia. A inovação também diminui a pressão por produção adicional para compensar o que se perde.

Alinhamento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

A atuação do Escalab se conecta diretamente com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030, plano de ação global construído pelos Estados-membros da Organização das Nações Unidas.

Entre as metas contempladas pelas tecnologias desenvolvidas estão a redução da geração de resíduos, o fortalecimento da economia circular e o incentivo à pesquisa científica como ferramenta para enfrentar desafios ambientais.

As duas startups — GeoCycle e NanoFood — exemplificam como a ciência produzida nas universidades pode ser aliada prática na busca por processos produtivos mais sustentáveis. Demonstram que é possível converter conhecimento acadêmico em soluções com impacto ambiental positivo e viabilidade comercial.

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