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Cientistas identificam estrelas que engoliram planetas com nova técnica

Estudo liderado por pesquisadores da USP indica que sistemas planetários estáveis, como o Sistema Solar, podem ser menos comuns no Universo

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Cientistas identificam estrelas que engoliram planetas com nova técnica • Freepik

Pesquisadores do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP), em parceria com cientistas de outros países, desenvolveram uma nova forma de identificar estrelas que engoliram planetas que orbitavam ao seu redor.

A técnica utiliza a análise da quantidade de berílio presente nas estrelas e foi descrita em um artigo publicado na revista científica Astronomy & Astrophysics.

Como funciona a técnica?

Em sistemas binários, formados por duas estrelas que nasceram da mesma nuvem de gás, espera-se que ambas tenham composição química semelhante. No entanto, alguns pares apresentam diferenças inesperadas.

Para investigar essas variações, os cientistas analisaram elementos químicos classificados como refratários — normalmente encontrados em estado sólido — e voláteis, que costumam existir em forma gasosa.

Segundo a pesquisadora Anne Rathsam, autora principal do estudo, se uma estrela engole um planeta rochoso, ela tende a apresentar uma quantidade maior de elementos refratários.

Por que o berílio é importante?

Os pesquisadores se concentraram em dois elementos específicos: lítio e berílio. Como esses elementos são destruídos gradualmente no interior das estrelas e não são produzidos por elas, uma quantidade acima do esperado pode indicar a incorporação de material rochoso proveniente de planetas.

O berílio, em especial, se mostrou um marcador promissor porque seus sinais permanecem detectáveis por mais tempo do que os do lítio.

Segundo os autores, é a primeira vez que diferenças na abundância de berílio são associadas diretamente à ingestão de planetas por estrelas.

O que os cientistas descobriram?

A equipe analisou as estrelas HD 129171 e HD 129209 utilizando dados obtidos pelo telescópio Very Large Telescope (VLT), instalado no Chile.

Os resultados mostraram que a estrela HD 129171 possui maior concentração de elementos refratários, além de apresentar enriquecimento em lítio e berílio. Para os pesquisadores, isso representa uma evidência de que ela teria absorvido um ou mais planetas rochosos.

O que isso revela sobre outros sistemas planetários?

Segundo os cientistas, a descoberta sugere que sistemas planetários estáveis, semelhantes ao Sistema Solar, podem ser menos frequentes do que se imaginava.

Se a ingestão de planetas for responsável pelas diferenças químicas observadas em muitos sistemas binários, isso indicaria que uma parcela significativa dos planetas possui órbitas instáveis e acaba sendo absorvida por suas estrelas.

Qual é a relação com a busca por vida no Universo?

Para os pesquisadores, a estabilidade orbital é um fator importante para o desenvolvimento e a manutenção da vida por longos períodos.

Assim, se sistemas planetários estáveis forem mais raros, a existência de formas complexas de vida em outros lugares do Universo pode ser ainda menos comum do que as estimativas atuais sugerem.

Quem participou do estudo?

O trabalho foi liderado pela pesquisadora Anne Rathsam, do IAG-USP, e contou com a participação de cientistas do Brasil, Alemanha, Polônia, China, Austrália e Itália.

A pesquisa foi realizada com dados do Observatório Europeu do Sul, no Chile, e recebeu financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

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Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego/ Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.