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China proíbe namorados virtuais criados por inteligência artificial

Nova regulamentação busca reduzir a dependência emocional de chatbots e incentivar relações humanas no país

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A China passou a adotar uma nova regulamentação que impede o funcionamento de aplicativos e chatbots de inteligência artificial desenvolvidos para atuar como namorados ou namoradas virtuais. A medida faz parte de um conjunto de ações do governo para combater a dependência emocional provocada por essas plataformas e estimular os relacionamentos entre pessoas.

As novas regras proíbem que sistemas de inteligência artificial incentivem vínculos afetivos intensos ou criem relações amorosas com os usuários. Além disso, empresas que oferecem esse tipo de tecnologia terão de adotar mecanismos para identificar situações de sofrimento emocional e agir quando houver sinais de risco.

Outra determinação impede que menores de idade tenham acesso a companheiros virtuais baseados em IA. O governo chinês também passou a exigir avaliações de segurança antes que esses serviços sejam disponibilizados ao público, aumentando o controle sobre o setor.

A decisão ocorre em meio à preocupação das autoridades com o crescimento do uso de assistentes virtuais capazes de manter conversas cada vez mais realistas e emocionalmente envolventes. Especialistas alertam que esse tipo de interação pode favorecer o isolamento social e criar laços afetivos que substituem parte das relações humanas.

Segundo Matt Sheehan, pesquisador do Carnegie Endowment for International Peace, o governo teme que uma parcela da população desenvolva vínculos profundos com esses sistemas. "Eles não gostam da ideia de que uma grande parte da população esteja em relacionamentos emocionais profundos com chatbots, o que poderia afastar essas pessoas do mercado de relacionamentos, gerar impactos psicológicos negativos, dependência emocional e diversos outros problemas sociais.", disse o especialista ao site de notícias G1.

Grandes empresas chinesas de tecnologia, como Alibaba e ByteDance, já começaram a desativar recursos de alguns de seus chatbots para atender às novas exigências da legislação.

Ainda conforme o conteúdo publicado pelo G1, a iniciativa também está relacionada ao desafio demográfico enfrentado pela China. O país registra queda na taxa de natalidade e envelhecimento acelerado da população, cenário que levou o governo a criar políticas de incentivo à formação de famílias e ao aumento do número de nascimentos. Para as autoridades chinesas, o avanço dos relacionamentos virtuais pode contribuir para reduzir ainda mais o interesse por relacionamentos presenciais e pela constituição de famílias.

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Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.