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Aplicativo criado pela USP adapta técnica de psicoterapia para tratar depressão pós-parto; veja como funciona

Motherly usa técnicas da terapia cognitivo-comportamental e está sendo testado como ferramenta para ampliar o acesso ao atendimento psicológico para mães

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Ferramenta utiliza técnicas da terapia cognitivo-comportamental
Ferramenta utiliza técnicas da terapia cognitivo-comportamental • Divulgação | Motherly

Pesquisadores do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) desenvolveram um aplicativo que adapta técnicas de psicoterapia para auxiliar no tratamento da depressão pós-parto. Batizado de Motherly, o aplicativo ainda está em fase de testes e foi criado para ampliar o acesso à assistência psicológica por meio do celular.

A ferramenta utiliza técnicas da terapia cognitivo-comportamental, uma abordagem da psicoterapia, e foi desenvolvida para que algumas dessas estratégias possam ser aplicadas de maneira orientada no ambiente digital. O aplicativo também reúne informações sobre o período pré-natal e o puerpério, além de conteúdos sobre mudanças biológicas e sentimentos comuns nessa fase.

A depressão pós-parto pode surgir após o nascimento do bebê e é caracterizada pela presença, por pelo menos duas semanas, de humor deprimido e perda de interesse ou prazer nas atividades cotidianas. Entre os sintomas também podem estar alterações no sono e na alimentação, ansiedade e pensamentos recorrentes de morte ou ideação suicida.

Aplicativo aposta em pequenas mudanças na rotina

Uma das principais técnicas utilizadas pelo Motherly é a chamada ativação comportamental. A estratégia busca ajudar a pessoa a retomar, gradualmente, atividades que foram abandonadas ou passaram a ser evitadas durante o episódio depressivo. Segundo os pesquisadores, a depressão pode levar ao isolamento e à esquiva de determinadas tarefas. Esse comportamento pode ser acompanhado de culpa e contribuir para a manutenção dos sintomas.

Por isso, em vez de estabelecer grandes metas de uma só vez, a ferramenta divide os objetivos em etapas menores. No aplicativo, esse processo aparece nas chamadas “jornadas”, que apresentam os conceitos da ativação comportamental e, posteriormente, permitem que a usuária organize atividades em uma espécie de agenda.

As tarefas podem ser selecionadas considerando fatores como dificuldade, relevância e interesse. Conforme as atividades são realizadas, novos objetivos podem ser estabelecidos para ajudar na construção gradual de uma rotina.

Estudo avaliou 264 mulheres

Para analisar os efeitos da ferramenta, pesquisadores realizaram um ensaio clínico randomizado com 264 mulheres que apresentavam depressão pós-parto até 12 meses depois do parto. As participantes foram divididas em dois grupos. Um deles utilizou o Motherly, já o outro participou do chamado controle ativo, por meio do aplicativo COMVC, também desenvolvido pelos pesquisadores, mas voltado à psicoeducação e sem foco específico em mulheres no período perinatal.

As voluntárias passaram por avaliações clínicas antes e depois da intervenção. Os resultados mostraram que, na média da amostra, o Motherly não reduziu os sintomas depressivos em comparação com o aplicativo utilizado pelo grupo de controle. Apesar disso, foram observadas melhorias em outros aspectos avaliados pela pesquisa, como qualidade do sono, ativação comportamental e estresse parental.

Adesão ao aplicativo fez diferença

A pesquisa também identificou diferenças na resposta das participantes. Mulheres que utilizaram o aplicativo com maior frequência apresentaram impacto positivo nos sintomas de depressão. A quantidade de filhos também apareceu como um fator associado à resposta ao tratamento. De acordo com os pesquisadores, mulheres com mais filhos tiveram menor benefício, possivelmente devido à maior sobrecarga relacionada aos cuidados.

Outro fator associado a uma resposta mais positiva foi a realização de um número maior de consultas pediátricas durante o período analisado.Para os pesquisadores, os resultados reforçam a importância da adesão em intervenções psicológicas digitais. O uso de uma ferramenta de tratamento depende de que a pessoa consiga incorporá-la à própria rotina e mantenha o acompanhamento das atividades propostas.

Próxima etapa terá participação de psicoterapeutas

Diante dos resultados, a equipe não pretende utilizar o aplicativo isoladamente na próxima etapa da pesquisa. Um novo ensaio clínico será realizado para testar a combinação entre o Motherly e uma sessão única de psicoterapia. A proposta é que o profissional utilize o encontro para ouvir a paciente, ensinar a técnica de ativação comportamental e apresentar o aplicativo como uma ferramenta para colocar a estratégia em prática no dia a dia.

A intenção é verificar se a orientação profissional pode aumentar a adesão ao aplicativo e potencializar seus efeitos. O recrutamento para esse novo ensaio está aberto, segundo o Jornal da USP. A pesquisa que avaliou o Motherly foi tema da dissertação de Tatiane Borja e contou com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

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Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

 

 

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