Corpo do motorista de app é enterrado sob comoção e revolta em BH

Orações, aplausos em homenagem à vítima e muita emoção dimensionaram o tanto que Leone era querido no Aglomerado da Serra

Centenas de pessoas, entre familiares, vizinhos e amigos, acompanharam o enterro de Leone Lucas dos Santos, 22 anos, motorista de aplicativo brutalmente assassinado por quatro criminosos durante uma corrida de Belo Horizonte para Itabirito, região Central de Minas, no dia 28 de dezembro. O corpo do trabalhador foi sepultado na manhã desta sexta-feira (5), no cemitério da Saudade, região Leste da capital mineira.

Orações, aplausos em homenagem à vítima e muita emoção dimensionaram o tanto que Leone era querido no Aglomerado da Serra, região Centro-Sul de BH, onde ele nasceu e cresceu. O carinho da comunidade era tanto que foi preciso fretar três ônibus para levar parte dos moradores ao cemitério. Charles Ferreira Rodrigues lembra do amigo de infância.

“Menino muito trabalhador. Nunca mexeu com droga, gostava de tomar a cervejinha, menino alegre, sempre gostou de ajudar os outros. No momento que ele morreu, ele estava trabalhando. Era muito querido no Aglomerado”, disse Charles. “Sentimento de saudade”, completou.

Crime

Leone foi enforcado e jogado no rio Itabirito, na região Central de Minas. O corpo dele foi encontrado nessa quarta-feira (3), oito dias após o desaparecimento registrado pela família no dia 28 de dezembro.

A Polícia Civil prendeu quatro suspeitos de terem participado do crime brutal. São duas mulheres e dois homens, com idades entre 16, 25, 29 e 31 anos. Eles vieram para Belo Horizonte, mas o carro em que eles estavam estragou e, por isso, decidiram pegar uma corrida de app para Itabirito. Os quatro decidiram matar o trabalhador quando ele parou o carro para abastecer em posto de gasolina, em Nova Lima.

De acordo com os depoimentos deles, um dos suspeitos que estava sentado no banco de trás enforcou o Leone, usando a camisa, e depois o grupo teria jogado o corpo de uma ponte no rio itabirito. Um dia depois, o carro foi encontrado, com os pneus traseiros furados e sem nenhum pertence dentro.

Revolta geral

Detalhes da investigação da Polícia Civil mostram que o assassinato brutal revoltou até traficantes do Aglomerado da Serra. Tanto que eles foram até Itabirito para matar os quatro autores do crime. Como não encontraram, acertaram com traficantes da cidade a morte dos suspeitos.

O delegado Alexandre Fonseca, responsável pela delegacia de Desaparecidos, confirmou que os quatro autores confessos sabiam que poderiam ser assassinados e, por isso, três resolveram se entregar. “Eles estavam ameaçados de morte pelo pessoal aqui da Serra e resolveram se entregar na delegacia de Itabirito. Como já estávamos em perseguição a eles, demos voz de prisão para todos fizemos um Reds (Boletim de Ocorrência) que tem 17 páginas, com provas substanciais”, disse o delegado.

Jornalista formado pela Newton Paiva. É repórter da rádio Itatiaia desde 2013, com atuação em todas editorias. Atualmente, está na editoria de cidades.
Formado em jornalismo pela PUC Minas, foi produtor do Itatiaia Patrulha e hoje é repórter policial e de cidades na Itatiaia. Também passou pelo caderno de política e economia do Jornal Estado de Minas.

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