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Degustatividade: Pacato recebe Rafa Costa e Silva

Caio Soter celebra três anos de seu restaurante com menu a quatro mãos ao lado do chef do estrelado Lasai, além de uma festa na calçada

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Caio Soter e Rafael Costa e Silva: amizade desde o Mestre do Sabor. • Léa Araújo

Os chefs se conheceram no reality Mestre do Sabor. Caio Soter como integrante do time liderado pelo jurado Rafa Costa e Silva. O Lasai recebeu duas estrelas Michelin esse ano e figurou em 58º na lista dos melhores restaurantes do mundo pela The World’s 50 Best. No ranking da América Latina está em 14ª colocação.

Rafa foca em legumes e verduras cultivados em suas próprias hortas em Itahnangá e no Vale das Videiras e de pequenos agricultores do Rio de Janeiro ao desenvolver pratos para cada temporada do Lasai.

Folhas e ervas foram o recheio de uma casca muito crocante de fécula de araruta, que é uma raiz da qual se extrai uma fina farinha. Outra espécie de mini sanduíche crocante foi feito de quinoa, recheado de berinjela e couve. Caio entrou nos aperitivos com um canapé de rosca, castanha de pequi e banana.

Lindo e monocromático, o prato de entrada exibiu o palmito delicadamente cortado em lâminas da espessura de um tecido de seda. Em outra textura, o palmito em cubos aparece embaixo no leite de coco complementado por castanhas.

Rafa mostra como tem talento para executar um prato leve e elegante e depois entrar com potência na etapa de carne, em que ele preparou o porco glaceado. Adorei o chuchu em formato de bife, bem grelhado que serviu de acompanhamento junto com o mini pepino mexicano cucamelon e picles de rabanetes diversos.

Suspiros foram arrancados de todos da mesa ao provarem o caldo de tonalidade alaranjada que veio junto com a galinha. “Faço como se fosse um molho de moqueca, porém troco o dendê por urucum e o leite de coco por de castanha de pequi, coloco bastante talo de coentro também. A sobrecoxa é tostada na frigideira de ferro com a pele para baixo e prensada por 30 segundos do outro lado antes de ir ao forno” revela Caio Soter sobre o prato que mais me encantou nesse jantar.

Foi dele também a deliciosa picanha de sol com mandioca, coentro e agrião assim como as sobremesas. Primeiro um delicado cone recheado de creme de manga e maracujá com um toque de pimenta e queijo Bello.

Tiveram mais queijos mineiros no segundo doce: a torta de queijo Luiza da Ribeiro Fiorentini ao licor de jabuticaba e doce de leite fermentado.

O menu de sete tempos (R$650) foi harmonizado com vinhos (R$300) do Douro, Puglia, Albacete e excelentes vinhos naturais do Brasil e Bolívia. Proveniente de vinhas velhas situadas na região dos Caminhos de Pedra no Rio Grande do Sul, o Era dos Ventos Moscato Antigo é um vinho laranja, de maceração com as cascas. No nariz percebemos aromas adocicados e em boca o vinho é bem seco e complexo.

“Jardín Oculto é um vinho boliviano bem especial, do Vale do Cinti. Produtor 100% natural, que mantém as videiras como ela são desde a pré-filoxera, há 200 anos crescidas em árvores. A Negra Criolla é uma uva bem difícil de encontrar, dá uma coloração parecida com o beaujolais e apresenta notas de morango silvestre”, ressalta o sommelier Osmar Santos.

Coquetéis elaborados pelo mixologista Diego Kruz foram outras opções de harmonização, que incluiu um sour de cenoura com Rum Apraz 6 Madeiras da Lamas Destilaria, armazenado em barril feito de amburana, jequitibá-rosa, bálsamo, grápia, freijó e carvalho americano.

Festival Comida de Quintal

A rua em frente ao Pacato foi fechada no domingo passado para receber gratuitamente o público com muita comida boa em comemoração ao terceiro ano de sucesso do restaurante que surgiu para elevar a cozinha mineira e mostrar o requinte que nossos quitutes podem atingir. Na cozinha ao vivo, Bruna Martins ensinou a receita do quibe cru de carne de sol com babaganush de jiló e coalhada de fígado, sensacional. A genial versão de pão de queijo em mil folhas com ragu de linguiça e gel de limão capeta (R$32) foi desenvolvida pela especialista em massa folhada Verônica Kim em conjunto com Mário Santiago, que revela alguns segredos: “trocamos o polvilho doce pelo azedo, já que queríamos expansão e crocância na receita. Já o queijo, entra incorporado junto com a manteiga.” Caio Yokota e Victor Valadão serviram uma ótima berinjela (R$28), em uma finíssima a camada de empanamento, feita de polvilho doce, amido de milho e farinha de trigo em proporções iguais. Por cima vai um molho maravilhoso com misso e shoyo diluídos em água. Sabores marcantes de chorizo espanhol ou pesto com fior de latte elevaram as pizzetas napoletanas (R$46) do mestre em fermentação natural Fernando Bebber. Salgadinhos tradicionais viram maravilhas nas mãos da Isabela Rochinha e do Daniel Duarte como a coxinha de frango com quiabo e emulsão de cúrcuma (R$30) e o risole de milho com creme de requeijão (R$26).

Mil folhas de pão de queijo com ragu de linguiça e gel de limão capeta

Guardião da Intuição 2022

Vanessa Kohlrausch Medin é filha, neta e bisneta de viticultores. Começou no mundo do vinho em 2008 e trabalhou em vinícolas de grande, médio e pequeno porte. Passou pela Cooperativa Aurora, Miolo Wine Group, Pizzato e Bueno Wines. Seu primeiro contato com a vinificação natural foi em 2015 no Atelier Tomentas, paixão à primeira vista até que três anos depois deu início ao seu próprio projeto. Foca em vinhos puros, sem adição de produtos enológicos e sem correções químicas. Na filosofia de mínima intervenção, o Guardião da Intuição 2022 é um vinho laranja que fica somente 12 dias de contato com cascas. De aparência turva, o vinho não é filtrado e apresenta sedimentos, de forma que permite que todos os sabores, aromas e características únicas da uva e do terreno se mantenham intactos no vinho final. As uvas Chardonnay e Malvasia de Cândia são fermentadas espontaneamente e produzem apenas 533 garrafas no Vale dos Vinhedos. Bem frutado e floral. R$120 no site www.vanessakmedin.com.br. #comprevinhogaúcho

Guardião da Intuição 2022

Benerick’s Negroni no Villeon

Para a Negroni Week, a Benerick’s Cocktail Co propôs um circuito gastronômico com menus de três tempos assinados por quatro renomados chefs da cidade a serem apreciados com o Benerick’s Negroni, o primeiro coquetel engarrafado da empresa mineira. Cristóvão Laruça, Sofia Marinho, Juliana Duarte e Felipe Leão criaram pratos especiais para o almoço (R$95) e jantar (R$135) para serem apreciados com o clássico coquetel feito com gin, Campari e vermouth e um toque especial de brasilidade dado pelo bitter de laranja-baía e nibs de cacau orgânico. No Villeon o chef Felipe Leão serviu de entrada tartare de atum fresco, manga e avocado, como principal o “Espaguete Dourado”, criação do amigo Cantídio Lanna, em que a massa leva molho de moranga, carne de sol e banana da terra frita e para a sobremesa, pudim de tapioca com calda de maracujá e laranja acompanhado de sorbet de maracujá.

Tartare de atum fresco, manga e avocado

Mais experiências gastronômicas no www.degustatividade.com.br

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Léa Araujo é criadora do Degustatividade.com.br, onde compartilha experiências gastronômicas desde 2009. Colunista de gastronomia do Cidade Conecta há nove anos, participa do júri de vários concursos.