Degustatividade: Eu Apoio Uma Chef
Coquetel promovido pelo buffet A Chef - Art of Catering and Home marca início de um propósito entre mulheres

Em uma noite leve e deliciosa, Gabriela Gontijo e Bruna Costa, sócias d’A Chef, reuniram um time forte do cenário gastronômico de Belo Horizonte com intuito de fortalecer o empreendedorismo feminino.
O movimento começou no dia 8 de março, Dia Internacional das Mulheres, com um vídeo manifesto composto por dez participantes. A rede de mulheres foi ampliada no coquetel que aconteceu no buffet A Chef - Art of Catering and Home preparado cuidadosamente pela Bruna Costa. Apreensiva em servir o seu melhor nesta noite especial, a chef simplesmente brilhou com o tartar de carne de sol com banana-da-terra e bernaise de manteiga de garrafa; a tapioca insuflada com salmão curado; o bombom de queijo de cabra com gel de tomates; o mini bao de língua defumada com ora pro nobis, picles maxixe e aioli de kimchi dentre outras deliciosidades.
“A inauguração foi incrível. Tínhamos mulheres vibrando com a mesma energia de apoio, cooperação e união. Senti todas muito felizes e engajadas com a mensagem e o propósito de crescermos juntas. Vamos conquistar espaços inimagináveis por nós. Agradeço imensamente a presença de todas, neste que é apenas o começo de uma história linda”, compartilha Gabriela Gontijo.
Silvana Watel também está há anos nessa jornada e ressalta que “É muito importante valorizarmos o que temos conquistado até agora, não só em relação à gastronomia, mas o próprio papel da mulher na sociedade. Na maioria das profissões temos figuras masculinas como referência e na gastronomia temos um exemplo tão claro disso, pois foram os homens que profissionalizaram o cozinhar e conseguiram ganhar dinheiro como chef. Quando busquei um curso profissional de gastronomia em 2004 na Bahia, que era o mesmo do Senac aqui em BH, eles não aceitavam mulheres - olha que absurdo. Na época do Au Bon Vivant eu era a única mulher a participar dos eventos, por incrível que pareça. Essa nossa conquista é muito recente. O projeto Eu Apoio Uma Chef vem para unir as mulheres e mostrar que juntas somos mais fortes.”
Ju Duarte defende fortemente essa bandeira. “Temos alguns desafios importantes, primeiro é ter voz ativa, ser escutada em um universo tradicionalmente masculino. Ocupar o lugar que a gente quiser. O outro desafio é a gente mesmo acreditar na nossa força, ter coragem para se posicionar e enfrentar o que for necessário, isso sem perder a ternura. Hoje é fundamental que todas as mulheres sejam feministas. É uma questão de sobrevivência, merecimento e justiça.”
A nova geração também sente dificuldades. Isabela Rochinha pondera que “É sempre desafiador ser mulher. De qualquer forma. Ser mulher e querer empreender é mais difícil ainda. Tenho a sorte de estar em uma empresa que conseguimos empreender até mesmo dentro. Que me dá espaço para me promover, e valorizar meu trabalho. É difícil ser levada a sério nesse meio. Seguimos lutando para que nossas fraquezas virem fortalezas”.
Ana Gabi reforça: “Eu diria que são muitos os desafios quando se trata do mercado de hospitalidade, de alcançar uma posição de liderança e ao mesmo tempo ser mulher. No início, eu não sabia se tinha talento suficiente, mas sabia que se a minha entrega não fosse superior à dos homens ao meu redor, eu não teria a menor chance. Ter uma qualidade de trabalho apenas equiparada era o suficiente para me desqualificar. Percebi que eu precisava de duas coisas, uma busca constante e intensa por conhecimento e muitas horas de vôo. Se você está em um ambiente onde existe alguma chance de desacreditarem da sua capacidade ou de suas ideias serem descredibilizadas, a única forma de vencer isso e se sentir mais segura é saber exatamente o que está fazendo. As circunstâncias da vida e os privilégios, ou falta deles, vão interferir diretamente na insegurança que sentimos diante de novos desafios, mas a experiência e domínio do assunto é o que constrói caminhos seguros para esta trajetória.”
O propósito abrange não só chefs de cozinha, mas também outras mulheres que trabalham no ramo da gastronomia. As mixologistas Cibele Guimarães e Jocassica Coelho marcaram presença no evento e contam sobre suas dificuldades. “Dos maiores desafios da minha carreira de bartender foi o preconceito e machismo. Ser uma mulher em posição de liderança me exigiu criar habilidades para ser respeitada no meio que é dominado majoritariamente por homens, desde empresários, colegas de trabalho e até clientes”, confessa Cibele.
Jocassia desabafa sobre uma questão delicada. “Sou uma mulher que expressa feminilidade e gosto de fazê-lo, mas, no ramo de restaurantes, ser profissional significa lidar com colaboradores dando em cima. Eu não deixo que isso atrapalhe meu trabalho, me mantenho vigilante, por mim e por todas. Treino e ensino outras mulheres a se defenderem através da postura e se manterem fortes. Hoje ocupo uma posição de chefia, o que intimida um pouco, mas ainda assim, preciso ser ríspida para que não mexam com minha equipe, composta por mulheres.”
A iniciativa Eu Apoio Uma Chef continuará a crescer por meio da criação de uma comunidade que estará conectada via WhatsApp.
Mais experiências gastronômicas no www.degustatividade.com.br
Léa Araujo é criadora do Degustatividade.com.br, onde compartilha experiências gastronômicas desde 2009. Colunista de gastronomia do Cidade Conecta há nove anos, participa do júri de vários concursos.














