Degustatividade: 27º Festival Cultura e Gastronomia de Tiradentes 2024
Encontro cultural de Porto e Minas é tema da intensa programação gastronômica

“Recebemos chefs portugueses para cozinhar com chefs mineiros de igual para igual, de forma a valorizar a nossa riqueza e reafirmar o quanto a gastronomia brasileira vive um momento de glória”, ressalta a curadora do Fartura, Carolina Daher.
Flávio Trombino apresentou o tão amado pão de queijo com linguiça em forma de canapé com requeijão de raspa, picles de cebola, caviar de mostarda e pimenta verde - ficou um luxo. Sua releitura de frango com quiabo, o “Arroz Preguento do Bento”, leva cogumelos paris frescos puxados na manteiga e coxa de galinha confitada suculenta por dentro e dourada por fora, sucesso desde 2015.
Inês Diniz serviu o “Bacalhau à Gomes de Sá”, originário e típico da cidade do Porto com suas belas lascas entremeadas com ovos cozidos, cebolas, azeitona preta e batatas. Rabanadas de chá preto é ideia de sua avó que não gostava de leite, mudou a receita e deu certo. O jantar (R$550) foi harmonizado com vinhos do Douro, do Porto e da região de Vinhos Verdes pelo sommelier Gustavo Giacchero.
Na praça da rodoviária destaco a saborosíssima moela (R$50) do Caetano Sobrinho e sua famosa coxinha de carne de sol com catupiry cremoso (R$40, quatro unidades). Vitor Martins faz sempre bastante sucesso com o torresmo de rolo (R$45) do Bar do Zezé e o “Minas Lusitana”, bolinho de milho verde com bacalhau (R$40, quatro unidades) que foi a cara do festival desse ano.
Com sua “Trilogia Mineira”, Fernanda Fonseca serviu pipoca de quiabo, torresmo à pururuca e mandioca ao creme de taioba (R$40). Peito e costela de boi Angus (R$50) passaram por 15h de defumação nas mãos do André Prates especialista em American BBQ. Wesley Reis serviu língua bovina muito bem cozida (R$50).
Em direção ao Santíssimo Resort, passamos pelo Espaço Conhecimento, onde Bruna Martins discursava sobre empreendedorismo e pelo Espaço Degustação para apreciar o Lavagante Azul Costa Norte com moqueca mineira, lima caviar, alho fermentado, citronela do Vitor Matos, dentre os vários chefs que compartilharam suas experiências com o público.
Naiara Faria brilhou com o bolinho de canjiquinha com costelinha (R$45) e o filé mignon ao molho oriental com mandioca frita cremosa (R$50). Yves Saliba arrasou na croqueta de bobó de camarão (R$35, quatro unidades) e no pastel de copa lombo defumado com requeijão de raspa (R$30, três unidades). Suculento e surpreendente, o espeto de linguiça vegana da Cogumelado feito de shimeji (R$25) pelo Thiago de Azevedo me conquistou. Marcelo Haddad marcou presença com carne de sol e porquinho na lata.
No Espaço Brasa e Lenha pude saborear novamente o churrasco grego de sobrecoxa de frango caipira no pão pita com um refrescante tzatziki, pasta de pepino, cebola roxa e coentro pelas mãos da Marina Lopes.
Imperdível fazer compras no Espaço Produtos e Produtores. Saí com as sacolas cheias de charcutarias Sagrada Família e queijos Capril Rancho Das Vertentes.
Pét-Nat Vivente Glera Chardonnay 2022
“Método Ancestral. Vinificado e engarrafado sem aditivos e sem filtragem. Nada além de uvas fermentadas espontaneamente e leveduras selvagens.” Isso é poesia escrita no contra-rótulo do pet-nat da Vivente Vinhos Vivos para quem se importa com os conceitos de sustentabilidade, meio ambiente equilibrado e principalmente saúde. Os vinhos naturais chegaram com tudo e trazem muito além do que o líquido puro da garrafa. Não é “só” porque não leva nenhum aditivo sintético, os vinhos naturais despertam o sentido do alimento vivo e a expressão máxima do terroir, sem correções, sem interferências, respeito absoluto à Mãe Natureza. Os espumantes pétillant-naturel, ou pet-nats, são engarrafados durante a primeira fermentação, não passam pelo “dégorgement” e então adquirem complexidade pelas leveduras que permanecem na garrafa. A safra de 2021 traz o blend de 70% Glera da Serra Gaúcha e 30% Chardonnay de Campos de Cima da Serra, compradas de parceiros, enquanto finalizam os testes com suas próprias uvas. Um espumante bem fresco, repleto de notas cítricas e frutadas. No município de Colinas (RS), Micael Eckert e Diego Cartier iniciaram a vinícola em 2018 e desde 2022 usam energia solar certificada pela Demeter. Custa R$196 na Gira Vinhos. #comprevinhogaúcho
Belo Café SP
Após o sucesso como consultora da Belô Café em BH, Andreza Luísa inaugurou, em junho desse ano, sua primeira unidade em São Paulo como sócia e chef. Em 2023 foi a vencedora do reality The Taste Brasil, confiança que precisava para mostrar a gastronomia mineira para os paulistanos. Fígado, jiló, broa de milho, rabada, galinha da roça, taioba são iguarias mineiras que marcam forte presença no menu do Belo Café SP. Em uma telha de pão de queijo a perfeita combinação de patê de fígado de galinha e caponata de jiló (R$49) é uma das entradas imperdíveis. Outra excelente pedida é o steak tartare de Angus que vem na broa de milho com picles de pimenta cambuci e castanha do Brasil (R$52). Na combinação terra e mar o bao é recheado de polvo grelhado com glace de porco, maionese de limão cravo e gremolata (R$58). Dos principais achei um espetáculo a rabada prensada com mandioca cremosa, hollandaise de tucupi e salada de folhas amargas (R$92). O arroz melado de galinha com taioba (R$76) esbanja mineiridade assim como a rabanada de broa de fubá, sorvete de requeijão moreno, calda de goiabada e telha de especiarias (R$45) para adoçar. O drink “Arreda Esse Uai” é feito com gin de pera, cordial de pimenta com goiaba, Porto branco e vem com crocante de parmesão (R$45).
Capim Santo SP
Desde 2020, o Capim Santo ocupa os jardins do Museu da Casa Brasileira, ambiente extremamente para um almoço ao ar livre. Quem está à frente da cozinha é a chef Morena Leite, que preza pela culinária saudável com ingredientes brasileiros. O menu reflete seis pilares importantes para a chef: os clássicos do Capim Santo, o menu da estação, o menu vegano e a soma da sua experiência em três regiões brasileiras: Nordeste, Norte e Sudeste. Seu ceviche de peixe com coco e palmito pupunha servido no próprio coco (R$68) - um sucesso. Adorei também a sopa de milho verde com espuma de queijo tulha e cracker de limão (R$64), novidade do cardápio. Dos veganos, o braseado de jaca com molho roti de cebola roxa e cuscuz nordestino (R$88) está entre os novos pratos. Uma sobremesa interessantíssima é o fondue de capim santo com abacaxi em cubos (R$54) – amei. As caipirinhas são ótimas (R$42), sendo a de caju com gelo de água de coco.
Mais experiências gastronômicas no www.degustatividade.com.br
Léa Araujo é criadora do Degustatividade.com.br, onde compartilha experiências gastronômicas desde 2009. Colunista de gastronomia do Cidade Conecta há nove anos, participa do júri de vários concursos.






