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Concessão das rodovias fortalece o transporte público da Grande BH

Embora seja polêmico, projeto proposto pelo governo de Minas traz diversos benefícios para a mobilidade do Vetor Norte

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Rubens Lessa é presidente do Sintram • Sintram/Divulgação

Rubens Lessa Carvalho (*)

Nas últimas semanas, muito se tem discutido sobre a concessão das rodovias MG-010, MG-424 e LMG-800 à iniciativa privada. As três vias cortam regiões estratégicas do Vetor Norte da Região Metropolitana de Belo Horizonte, conectando cidades importantes como Lagoa Santa, Vespasiano, Confins e Sete Lagoas. A proposta do Governo de Minas prevê um robusto pacote de melhorias em infraestrutura, com investimentos de R$5 bilhões ao longo de 30 anos.

Por se tratar de um projeto que envolve a implantação de pedágio, é natural que a iniciativa, em um primeiro momento, gere questionamentos. No entanto, para entender de fato o que significa essa concessão, é essencial olhar para o contexto completo da proposta, que vai muito além da cobrança e apresenta inúmeros impactos positivos para a região — especialmente para o transporte público e para os milhares de passageiros que dependem do sistema diariamente.

Sob a ótica deste mesmo transporte público, um dos pontos mais relevantes é que os ônibus das linhas metropolitanas e municipais estarão isentos do pagamento de pedágio ao circularem pelo Vetor Norte. Isso significa que as empresas continuarão operando sem nenhuma consequência direta nos custos relacionados ao novo modelo de concessão, o que garante a manutenção das tarifas atuais para os passageiros.

Em uma análise rápida, fica claro concluir que isso significa algo muito importante: um incentivo direto ao transporte coletivo, que se traduz em benefícios concretos para toda a população. O primeiro deles, menos carros nas vias. Com os ônibus isentos, a tendência é que mais pessoas optem pelo transporte público, contribuindo para reduzir o tráfego e os congestionamentos.

O segundo, sustentabilidade, já que o maior uso do transporte coletivo reduz a emissão de gases poluentes e o consumo de combustíveis, contribuindo para a melhoria da qualidade do ar.

Para finalizar essa tríade, teremos uma mobilidade urbana otimizada. Com menos veículos de passeio nas rodovias, o fluxo se torna mais dinâmico e eficiente, fomentando novos negócios e impulsionando a economia da região, já que passageiros e demais motoristas circularão com mais agilidade.

Se olharmos a concessão de maneira ainda mais ampla, podemos enumerar mais ganhos, sobretudo relacionados à infraestrutura. E aqui não falo apenas de boa pavimentação. O projeto contempla pistas duplicadas, sinalização aprimorada, novos acessos e suporte emergencial 24 horas. Para o transporte público, isso significa viagens mais seguras, rápidas e previsíveis. Para os passageiros, são ganhos inestimáveis. Estudos apontam, inclusive, que as melhorias devem reduzir em até 45% o número de acidentes nos trechos contemplados.

Outro ponto importante a ser destacado é que para aqueles que terão que pagar para rodar nos trechos, haverá a adoção do sistema free flow, que elimina as tradicionais praças de pedágio, já que o veículo é identificado automaticamente. Isso permite uma cobrança proporcional à distância percorrida. Além disso, haverá descontos progressivos que podem chegar a até 50% do valor cheio da tarifa, para quem usa as rodovias com frequência, o que traz mais justiça tarifária para os motoristas.

Esse modelo mais moderno também evita filas, melhora a fluidez do tráfego e reduz o tempo de deslocamento — impactando positivamente o dia a dia de milhares de pessoas que utilizam as vias para trabalhar, estudar ou acessar serviços essenciais.

Todos sabemos que modernizar a infraestrutura é essencial para o crescimento das cidades, mas também compreendemos que o estado, muitas vezes, tem dificuldades em arcar com os custos e a manutenção dessas melhorias. A concessão, nesse sentido, surge como um mecanismo inteligente de financiamento, que equilibra a participação da iniciativa privada com o interesse coletivo.

Esse tipo de parceria público-privada será essencial para impulsionar a mobilidade urbana da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Quem está inserido neste setor sabe: a concessão trará mais eficiência e segurança para a população e fortalecerá o transporte público como uma ótima escolha de deslocamento nas rodovias do Vetor Norte.

(*) Rubens Lessa é presidente do Sintram

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