Polícia acha máquina de contar dinheiro e R$ 50 mil para ‘Dra Deolane’ com PCC
Análise de sigilos bancários revelou que Deolane recebia valores em um contexto de ‘acerto mensal

A investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo, no âmbito da Operação Vérnix, aponta a influenciadora e advogada Deolane Bezerra como peça-chave em um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro para a cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC). Durante buscas na residência de Everton de Souza, conhecido como ‘Player’, os agentes localizaram uma máquina de contar dinheiro e uma caixa estilizada contendo aproximadamente R$ 50 mil em espécie, com o nome ‘Dra Deolane’ gravado na tampa. As informações estão no blog Fausto Macedo, do Estadão.
Abaixo do nome da influenciadora, a caixa exibia o símbolo da balança da Justiça e a frase ‘o justo não se justifica’
De acordo com o inquérito, Deolane ‘mantém estreitas ligações’ com ‘Player’, que atuaria como o operador financeiro e intermediador entre os chefes da facção — os irmãos Marco Willians Herbas Camacho (Marcola) e Alejandro Camacho Júnior — e o gestor operacional do esquema, Ciro César Lemos.
A investigação detalha que o esquema funcionava por meio de uma transportadora de fachada, a Lopes Lemos Transportes, situada estrategicamente próxima à Penitenciária 2 de Presidente Venceslau. A partir dessa empresa, o dinheiro do crime era redirecionado para contas dos líderes e também de Deolane, que, segundo a polícia, controlava uma rede de 35 pessoas jurídicas registradas em um único endereço residencial em Martinópolis.
Os delegados Edmar Rogério Dias Caparroz e Ramon Euclides Guarnieri Pedrão sustentam que a influenciadora não atuava apenas como advogada, mas figurava entre os ‘beneficiários diretos dos repasses financeiros provenientes daquela transportadora’.
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A análise de sigilos bancários revelou que Deolane recebia valores em um contexto de ‘acerto mensal/balancete ou fechamento’ da empresa, e não como pagamento por serviços advocatícios.
O relatório da operação afirma que Deolane ‘empresta toda a sua estrutura financeira e aparente respeitabilidade social para o trânsito e integração de valores ilícitos’, completando a fase final da lavagem de capitais. Para a polícia, o conjunto de indícios demonstra que ela é ‘uma das mais importantes pessoas integrantes do vasto e diferenciado esquema de lavagem de capitais gerido pela organização criminosa PCC’.
A estrutura foi classificada como um ‘modelo tripartite de organização criminosa complexa’, unindo o núcleo decisório (presídios), o operacional (gestores) e o financeiro (contas receptoras).
A defesa de Deolane Bezerra alega a inocência da influenciadora, que foi transferida para a Penitenciária de Tupi Paulista. O espaço para a defesa dos demais citados permanece aberto.
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