Justiça do Rio de Janeiro revoga prisão do rapper Oruam
Filho de Marcinho VP era considerado foragido desde fevereiro deste ano, após descumprir medidas cautelares, como violações da tornozeleira eletrônica

A Justiça do Rio de Janeiro revogou a prisão preventiva do rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o Oruam, em processo no qual ele e outras três pessoas respondiam por tentativa de homicídio contra dois policiais civis, entre eles o delegado Moyses Santana. Na decisão, a 3ª Vara Criminal determinou uma série de medidas cautelares que o cantor terá que cumprir.
O filho do traficante Márcio dos Santos Nepomuceno era considerado foragido desde fevereiro deste ano, após descumprir medidas cautelares, entre elas, violações da tornozeleira eletrônica.
Acusações mudam
Oruam havia sido denunciado pelo Ministério Público por tentativa de homicídio, lesão corporal, resistência com violência, desacato, ameaça e dano ao patrimônio público. As acusações partiram de uma confusão envolvendo os agentes durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão na casa do cantor, no Joá, Zona Sudoeste do Rio.
Com a nova decisão, o rapper passa a responder por lesão corporal, ameaça, resistência, desacato e dano ao patrimônio público. Segundo a juíza, não havia como sustentar a acusação de tentativa de homicídio, já que não foi possível comprovar que Oruam assumiu o risco de matar os policiais nem que foi ele quem arremessou a pedra contra os agentes.
"Ele vai responder, mas agora sem prisão e sem a tentativa de homicídio", afirmou a advogada de defesa de Oruam, Flávia Froes.
As medidas cautelares que Oruam terá que cumprir
- Comparecimento mensal ao cartório do juízo até o dia 10 de cada mês, para informar e justificar suas atividades, além de comparecer a todos os atos do processo;
- Residir na comarca, mantendo endereço e telefone de contato atualizados;
- Proibição de frequentar o Complexo do Alemão e outras áreas de risco onde haja cumprimento de mandados, intimações e diligências com operações policiais de alto risco para a população local;
- Proibição de aproximação (500 metros) e contato com os demais acusados;
- Vedação de se ausentar da comarca de residência por mais de sete dias sem autorização judicial;
- Recolhimento domiciliar noturno, das 20h às 6h.
Outros três acusados são absolvidos
Além de revogar a prisão do cantor, a juíza absolveu sumariamente outros três acusados no processo: Willyam Matheus Vianna Rodrigues Vieira, Pablo Ricardo de Paula Silva de Morais e Victor Hugo Vieira dos Santos. Com a decisão, os três também vão retirar as tornozeleiras eletrônicas.
Relembre o caso
O processo contra Oruam é consequência de uma confusão registrada em 21 de julho de 2025. Policiais civis da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) foram até a antiga casa do cantor, no Joá, para cumprir um mandado de busca e apreensão contra um adolescente infrator, integrante da chamada "Equipe do Ódio", ligada ao Comando Vermelho, que havia deixado de cumprir medidas socioeducativas em regime de semiliberdade.
Colocado em uma das viaturas, o adolescente fugiu enquanto Oruam e outros rapazes apedrejaram o carro descaracterizado. A cena foi filmada pelos próprios jovens e os vídeos foram usados pela DRE para embasar o inquérito que resultou no mandado de prisão contra o cantor.
Três dias após o episódio, Oruam se entregou à polícia e ficou 50 dias preso em Bangu. Na época, a prisão foi convertida em medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica. No início deste ano, porém, ele burlou o equipamento e teve um novo pedido de prisão deferido.
Lorena Vieira é estagiária do Portal Itatiaia e estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais. Com experiências diversas, já trabalhou como repórter, produtora e apresentadora de coluna semanal no programa Agenda, da Rede Minas. Além de outras experiências como social media e comunicação de projetos culturais.



