Cinco mortes em um ano: MPF quer investigação e avalia fechamento da rampa de saltos da Pedra Bonita, no Rio
Em resposta, a Anac reconheceu dificuldades na fiscalização e apontou a necessidade de rever sua estratégia de atuação. Uma das alternativas mencionadas foi a realização de parcerias com órgãos de segurança

O Ministério Público Federal (MPF) avalia recorrer à Justiça para solicitar o fechamento da rampa de voo livre da Pedra Bonita, em São Conrado, na Zona Sul do Rio de Janeiro. A possibilidade é analisada após uma sequência de acidentes com asas-deltas e parapentes que provocaram cinco mortes na região em menos de um ano.
De acordo com reportagem do jornal "O Globo", o procurador da República Daniel Prazeres estuda a abertura de um inquérito civil público para investigar as condições de segurança e a fiscalização da atividade no local, um dos principais pontos turísticos da cidade. A preocupação aumentou depois do acidente registrado na última segunda-feira (2), quando o instrutor Luiz Eduardo Rodrigues dos Santos e o turista argentino Adrian Arismendi morreram após a queda de uma asa-delta na região da Praia de São Conrado.
Os dois foram socorridos em estado grave, mas não resistiram aos ferimentos. A Polícia Civil investiga as circunstâncias do acidente.
A atuação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) está entre os principais pontos analisados pelo MPF. Desde fevereiro, após outro acidente fatal envolvendo um piloto e uma turista, o procurador Daniel Prazeres acompanha a situação dos voos livres na região. Na ocasião, ele solicitou esclarecimentos à agência sobre os procedimentos adotados para fiscalizar a atividade.
Em resposta, a Anac reconheceu dificuldades na fiscalização e apontou a necessidade de rever sua estratégia de atuação. Uma das alternativas mencionadas foi a realização de parcerias com órgãos de segurança estaduais para ampliar as ações de controle. Outro ponto de discussão é a comercialização dos voos duplos. Pelas regras da agência, a venda de passeios panorâmicos não é permitida, mas existe uma exceção para atividades de instrução.
A própria Anac reconhece que não regulamenta especificamente os voos duplos de instrução e, por isso, não garante a segurança dessas operações.
Os voos na região foram suspensos por tempo indeterminado após o acidente de segunda-feira. A rampa fica dentro do Parque Nacional da Tijuca, administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A gestão operacional é realizada pelo Clube São Conrado de Voo Livre, por meio de um acordo de cooperação válido até o fim deste ano.
A possibilidade de fechamento pela Justiça ainda está em análise pelo Ministério Público Federal. Até o momento, não há decisão judicial determinando o encerramento definitivo das atividades.
Diana Rogers tem 34 anos e é repórter correspondente no Rio de Janeiro. Trabalha como repórter em rádio desde os 21 anos e passou por cinco emissoras no Rio: Globo, CBN, Tupi, Manchete e Mec. Cobriu grandes eventos como sete Carnavais na Sapucaí, bastidores da Copa de 2014 e das Olimpíadas em 2016.



