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Whisky adulterado em Betim: família acredita que homem que morreu pode ter sido vítima de contaminação

Quatro pessoas que teriam bebido whisky adulterado seguem internadas; homem de 58 anos suspeito de vender bebidas falsificadas foi preso

Por e 
Polícia ainda não confirma que substância foi a responsável pela morte das vítimas em Betim • Arquivo/EBC | Divulgação/PCMG

A família de um homem, de 34 anos, acredita que ele pode ter sido mais uma das vítimas de intoxicação após beberem whisky adulterado em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte. O paciente morreu na última quarta-feira (13).

“Ele consumia bebidas variadas, não posso confirmar se antes do falecimento ele ingeriu esse whisky adulterado. Mas sabemos que ele fazia o consumo dessa bebida e, por isso, a possibilidade é muito grande de sábado ou domingo antes da internação ele ter consumido”, contou um familiar que preferiu não se identificar.

O paciente deu entrada em estado grave na UPA da Colônia Santa Isabel. De prontidão, de acordo com outro parente, a médica pediu a transferência para uma unidade de saúde com estrutura para atendê-lo. Contudo, devido a um problema, o cadastro do paciente não teria sido lançado à central de vagas. Sendo assim, segundo a denúncia, os hospitais não tiveram conhecimento da vaga necessária. Após 30 horas, segundo o familiar, o paciente foi atendido no Hospital Regional de Betim.

No atestado de óbito a causa é "indeterminada". O parente contou que o laudo deve sair após 30 dias. Contudo, nesse tempo, a angústia toma conta da família. "Nenhuma autoridade policial nos procurou, a vigilância sanitária entrou em contato somente por telefone, fez algumas perguntas e disse que retornaria quando tivesse mais detalhes do caso", lembrou.

Ele ainda disse que a vigilância não esteve no hospital, que as perguntas sobre o uso do whisky foram por telefone. “O sentimento é de descaso, negligência, falta de interesse em prestar apoio com informações esclarecedoras sobre o ocorrido não só com nossa família, mas as famílias de todas as vítimas. Estamos nos sentindo injustiçados e sem saber a quem recorrer para mais informações. Houve mortes e isso é muito sério. Será preciso haver outras mortes para que haja empenho das autoridades de Betim?”, questionou.

A reportagem da Itatiaia entrou em contato com a prefeitura de Betim e com a Secretaria de Estado de Saúde e aguarda um posicionamento.

Sobe número de infectados

Nessa terça-feira (19), a prefeitura confirmou que quatro pessoas apresentaram sintomas. De acordo com o Executivo, dois pacientes estão internados no Hospital Regional de Betim, um está na UPA Teresópolis e outro está sendo acompanhado na rede privada. Outros quatro pacientes já tiveram alta e dois morreram.

Nesta quarta-feira (20), equipes do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs-Minas), da Secretaria Municipal de Saúde e da SES-MG se reunirão para definir as medidas a serem tomadas nos próximos dias.

Preso em flagrante

Um homem de 58 anos suspeito de vender bebidas falsificadas na cidade foi preso. O suspeito não conseguiu comprovar que adquiriu as bebidas legalmente nem falou qual pessoa ou empresa forneceu as garrafas. Com isso, ele foi preso em flagrante por comercialização de bebida alcoólica falsificada, corrompida e adulterada.

Até o momento, a Polícia Civil não confirmou se as bebidas encontradas com o suspeito seriam as mesmas consumidas pelos pacientes.

Whisky artesanal em Betim

O primeiro paciente chegou ao Hospital Regional de Betim na terça-feira (12) e morreu na quarta (13). A segunda morte foi confirmada pouco depois. Outros pacientes internados na mesma semana relataram aos médicos que ingeriram um tipo de “whisky artesanal”.

A Vigilância Sanitária municipal fiscalizou 10 estabelecimentos na região do Citrolândia, onde moravam as vítimas, mas não encontrou a bebida. O caso segue sendo investigado pela Secretaria Municipal de Saúde, que pediu aos médicos para monitorarem outros casos com os mesmos sintomas.

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Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.

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Enzo Menezes é chefe de reportagem do portal da Itatiaia desde 2022. Mestrando em Comunicação Social na UFMG, fez pós-graduação na Escola do Legislativo da ALMG e jornalismo na Fumec. Foi produtor e coordenador de produção da Record e repórter do R7 e de O Tempo