Vídeo: UFMG se posiciona após desafio de pré-candidato do PL terminar em pancadaria
Dinâmica com promessa de Pix de R$ 500 por argumento político termina em troca de agressões e mobiliza a Polícia Militar (PM) no campus Pampulha

A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) se posicionou, por meio de nota, na manhã desta quinta-feira (23), sobre a confusão e a pancadaria registradas na tarde de quarta-feira (22), no campus Pampulha, em Belo Horizonte, após um desafio promovido pelos pré-candidatos a deputado estadual Marília Amaral (PL/MG) e Douglas Garcia (PL/SP).
Em nota enviada à imprensa, a instituição afirmou que a gravação de conteúdo político não foi comunicada oficialmente e que o episódio ocorreu em área comum da Fafich, gerando ''reação espontânea'' de estudantes e resultando em violência.
A UFMG também destacou que a segurança universitária atuou para conter a situação. Confira a nota na íntegra
''Em relação ao recente episódio envolvendo um conflito entre um pré-candidato ao cargo de Deputado Estadual pelo Estado de São Paulo e estudantes, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) esclarece que a gravação de conteúdo de cunho político não foi notificada às instâncias institucionais da universidade. A ocorrência foi em uma área de circulação da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich), no campus Pampulha, gerando reações espontâneas por parte de estudantes, o que culminou em um episódio de tensão e violência.
A Universidade, comprometida historicamente com a liberdade de expressão, o pluralismo de ideias e o respeito à convivência democrática, ressalta que seus espaços são abertos ao debate público e à livre manifestação de ideias. Entretanto, todas estas atividades, em especial aquelas que envolvam mobilização organizada ou que tenham potencial de conflito, devem observar os procedimentos institucionais, sob pena de comprometer as condições adequadas de convivência acadêmica. Nesse sentido, a segurança universitária atuou para preservar a integridade das pessoas e restabelecer as condições de normalidade no local.
A UFMG seguirá atuando com firmeza na defesa de um ambiente plural, seguro e institucionalmente organizado, reafirmando seu papel como espaço de produção de conhecimento, formação crítica e compromisso com a democracia.''
O que aconteceu
Na tarde de ontem, Amaral e Garcia levaram para a UFMG uma placa do ex-presidente Jair Bolsonaro com um texto para desafiar os estudantes: "Lula é melhor do que Bolsonaro para o Brasil? Pix de R$ 500 para quem provar".
Durante a dinâmica, os ânimos se exaltaram e a situação escalonou para violência física. A Itatiaia obteve acesso a vídeos que mostram trocas de socos entre Douglas Garcia e estudantes.
A Polícia Militar (PMMG) foi acionada para a ocorrência, mas os pré-candidatos deixaram o campus antes da chegada da viatura.
Abaixo, assista às imagens da confusão:
Desafio de pré-candidatos do PL termina em confusão e pancadaria na UFMG
🎥 Imagens cedidas à Itatiaia pic.twitter.com/Vpjvp9zDPL
— Itatiaia (@itatiaia) April 23, 2026
Envolvidos se posicionam
O Diretório Acadêmico da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG publicou um vídeo nas redes sociais e comemorou que os integrantes do Partido Liberal (PL) foram expulsos do campus pelos alunos.
"Não naturalizamos que a política do extermínio seja parte do jogo democrático! Estamos em abril e os candidatos da extrema-direita buscam a todo custo disputar e coesionar uma base. Mas na UFMG nós não permitimos que isso aconteça. Em defesa dos nossos direitos e da universidade pública", escreveram os estudantes.
Procurado pela Itatiaia, Douglas Garcia afirmou que ele e Marília Amaral "foram surpreendidos por um grupo de supostos estudantes que iniciou uma série de agressões verbais e físicas" e que a situação "rapidamente se agravou, colocando em risco a integridade dos presentes".
O pré-candidato a deputado estadual por São Paulo alegou que interveio na confusão para proteger a colega e agiu "em legítima defesa e com o objetivo de cessar as agressões".
Em vídeo publicado nas redes sociais, Marília Amaral disse que os estudantes "partiram para cima" e "foram bem agressivos" após "tomarem uma surra nos argumentos".
"Agradeço a todo mundo que está se preocupando comigo e mandando mensagem. Apesar das agressões e de alguns ferimentos meus, do Douglas e de mais pessoas que estavam lá, estamos bem e estamos muito mais motivados a não retroceder", afirmou Amaral.
Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.
Repórter no portal da Itatiaia. Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

