Veja a linha do tempo do caso da engenheira em coma após amiga fazer procedimento
Aplicação de medicamento para dores crônicas na coluna resultou em graves sequelas

Letícia de Souza Patrus Pena, 31 anos, engenheira de produção que entrou em coma após um procedimento feito na casa de uma amiga médica, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, passou 45 dias em um hospital particular de São Paulo. O caso envolvendo anestesista Natália Peixoto de Azevedo Kali foi revelado pela rádio Itatiaia. nesta sexta-feira (21).
Conforme a família de Letícia, a aplicação de medicamento para dores crônicas na coluna, realizada em domicílio, resultou em graves sequelas. Por isso, a mãe da engenheira, procurou Ministério Público de Minas Gerais e pelo Conselho Regional de Medicina (CRM).
Confira a linha do tempo detalhada do caso, desde o primeiro procedimento bem-sucedido até as últimas notícias sobre o estado de saúde da paciente:
Agosto de 2024: Letícia de Souza Patrus, engenheira de produção com dores crônicas na coluna, realiza o primeiro bloqueio para alívio da dor na casa de sua amiga, a médica anestesista Natália Peixoto de Azevedo Kali. O procedimento tem um resultado positivo, proporcionando 5 dias sem dor para Letícia;
20 de setembro de 2024: Letícia realiza o segundo bloqueio na casa de Natália. Após o procedimento, Letícia sofre uma convulsão, seguida de confusão mental e parada cardiorrespiratória;
20 de setembro de 2024 (pós-evento): Letícia é levada a um hospital particular de Belo Horizonte. Natália informa aos médicos sobre a composição das injeções aplicadas, incluindo cloridrato de ropivacaína. O relatório médico indica 18 minutos de parada cardiorrespiratória e extensa lesão cerebral;
Setembro - novembro de 2024: A família de Letícia inicialmente acredita que Natália salvou a vida de Letícia e expressa gratidão. Posteriormente, a família descobre que o procedimento e a utilização do medicamento (ropivacaína) foram realizados de forma inadequada, fora de um ambiente clínico apropriado;
Final de novembro de 2024: A família de Letícia procura Natália para confrontá-la sobre a situação e solicitar ajuda com as despesas médicas. O advogado da família tenta contato com Natália, sem sucesso. Natália tenta enviar uma mensagem para a mãe de Letícia, que não é respondida inicialmente;
Início de dezembro de 2024: A mãe de Letícia envia uma mensagem para Natália expressando sua decepção e acusando-a de acabar a vida de Letícia;
Dezembro de 2024: Letícia é levada por familiares para tratar no hospital Albert Einstein, em São Paulo;
Janeiro de 2025: familiares retornam com Letícia para Belo Horizonte, após 45 dias. A ida para SP e o retorno a BH foram feitos em helicóptero médico, com despesas custeadas por parentes de Letícia;
20 de fevereiro de 2025: completam-se 5 meses desde o incidente. Letícia permanece internada, em estado de total dependência, sem previsão de alta. Estima-se que os gastos médicos já ultrapassem R$ 500 mil;
Fevereiro de 2025: a família de Letícia faz uma denúncia no Conselho Regional de Medicina (CRM) e apresenta uma queixa-crime no Ministério Público de Minas Gerais, alegando possível tentativa de homicídio doloso com dolo eventual.
A reportagem tentou contato com a médica Natália Peixoto de Azevedo Kalil, que é casada com um dos filhos do ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil. Natália atendeu a ligação, disse que atendia um paciente, pediu retorno no intervalo de 1 hora, mas não atendeu. O espaço para posicionamento segue aberto.
O que dizem CRM e MPMG?
Procurado pela Itatiaia, o CRM de Minas informou que todos os procedimentos abertos correm sob sigilo, conforme previsto no Código de Processo Ético Profissional. O registro de Natália está regular.
Já o MPMG que o procedimento foi aberto e é analisado por uma promotora.
Mineiro de Urucânia, na Zona da Mata. Mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Ouro Preto (2024), mesma instituição onde diplomou-se jornalista (2013). Na Itatiaia desde 2016, faz reportagens diversas, com destaque para Política e Cidades.
Jornalista formado pela Newton Paiva. É repórter da rádio Itatiaia desde 2013, com atuação em todas editorias. Atualmente, está na editoria de cidades.




