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Testemunha relembra acidente que matou motociclista no Belvedere: ‘No mínimo 140 km/h’

Suspeito foi preso em flagrante após acidente que matou motociclista; motorista de app que viu ocorrência contou que caminhonete responsável por acidente estava em alta velocidade

Por e 
Garupa de moto atingida por carro dirigido por empresário vende balas em BH, diz família
Garupa de moto atingida por carro dirigido por empresário vende balas em BH, diz família • Imagens cedidas à Itatiaia

Acidente de trânsito envolvendo uma caminhonete e uma motocicleta provocou a morte de um homem, de 25 anos, nesse domingo (12), no Belvedere, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Em entrevista à Itatiaia, um motorista de aplicativo, que não será identificado, contou que o condutor do carro estava em alta velocidade. Luis Henrique Rodrigues Pierazolli, de 45 anos, foi preso em flagrante e vai passar por audiência de custódia nesta terça-feira (14).

“Essa caminhonete, eu olhei pelo retrovisor, vi a velocidade que ela estava, ainda comentei com a passageira que estava comigo no carro, que ele não conseguiria fazer a curva na velocidade que ele estava. Ele devia estar a mais de 140 km/h, ele passou por um creta que estava um pouco ao meu lado e quase bateu no creta”, explicou a testemunha.

O caso ocorreu na madrugada desse domingo (12) na rodovia MGC-356 no Belvedere, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. A vítima é o motociclista de aplicativo Danilo Pereira Marinho, de 25 anos. Um adolescente, de 16 anos, estava na garupa da moto, ficou ferido e foi socorrido em estado grave para o Hospital João XXIII. Além do empresário, outros dois homens estavam na caminhonete.

Em depoimento à Polícia Civil (PCMG), o suspeito admitiu ter consumido bebida alcoólica antes do acidente. Em seu depoimento à instituição, Luis Henrique Rodrigues Pierazolli confirmou que bebeu dois chopps e uma garrafa de cerveja. Ele era o motorista do veículo envolvido na ocorrência.

O suspeito relatou que dirigia para deixar os dois amigos em casa e seguia no lado esquerdo da pista no momento da colisão. Ele disse que "tudo foi muito rápido", prestou socorro às vítimas e está abalado por conta do episódio.

Motorista estava com sinais de embriaguez

De acordo com o boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar (PMMG), o empresário apresentava sinais visíveis de embriaguez, como hálito etílico e andar cambaleante, e se recusou a fazer o teste do bafômetro.

Em nota, a PCMG informou que deslocou a perícia oficial para o local do acidente. O corpo de Danilo Pereira Marinho foi encaminhado ao Instituto Médico-legal Dr. André Roquette (IMLAR) e passou por exames de necropsia.

A prisão em flagrante do motorista foi ratificada pela Polícia Civil. Ele foi autuado pelo crime de homicídio culposo na direção de veículo automotor, qualificado pela influência de álcool ou substância psicoativa, e encaminhado ao sistema prisional.

A Itatiaia entrou em contato com a defesa de Luis Henrique Rodrigues Pierazolli, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto.

O que diz o Boletim de Ocorrência?

Conforme o Boletim de Ocorrência (BO), o empresário afirmou que seguia pela rodovia no sentido Belvedere, pela faixa da esquerda, quando a motocicleta teria surgido na faixa da direita, e não soube lembrar com exatidão como ocorreu o impacto.

Em nota encaminhada à Itatiaia, a defesa do empresário Luís Henrique informou que ele está profundamente abalado com o ocorrido. Segundo o advogado, o cliente prestou socorro imediato às vítimas e permaneceu no local durante todo o atendimento.

Ainda conforme a defesa, não há qualquer indício de participação em disputa de velocidade, conhecida como “racha”. O empresário também estaria colaborando integralmente com as autoridades para o esclarecimento dos fatos.

Além do empresário, outros dois homens estavam na caminhonete. Um deles é Renato Ribeiro, ex-jogador revelado pelo Atlético.

Emocionado, o pai de Danilo, Vander Alípio Marinho, de 53 anos, contou que a família se preparava para comemorar o aniversário do filho no domingo.

“A gente tinha comprado carne para fazer um churrasco. Em vez disso, tive que escolher o caixão do meu filho”, lamentou. A mãe, Paris Pereira, também falou sobre a dor da perda e cobrou justiça. “Não desejo mal, mas quero justiça. Meu filho era trabalhador, queria vencer na vida. Os sonhos dele acabaram”, disse.

Apesar da dor profunda, a mãe de Danilo, Aparecida Pereira Jardim, se emocionou ao falar sobre perdão. Ela afirmou não guardar rancor dos ocupantes da caminhonete e disse estar disposta a falar sobre o amor de Deus para eles.

"Eu não desejo mal para esses três. Desejo que eles peçam perdão e não prejudiquem mais nenhuma família como prejudicaram a nossa", disse Aparecida.

Ela ressaltou que o filho era um jovem batalhador e muito querido pela comunidade. "Meu filho morreu a trabalho, ele queria vencer na vida. Os sonhos dele acabaram, mas meu coração está limpo. Quem tem Deus supera tudo", declarou a mãe, rodeada por amigos e familiares que lotaram a residência do casal em apoio.

 

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Jornalista formada pelo UniBH, é apaixonada pelo dinamismo do factual e pelo poder das histórias bem narradas. Com trajetória que inclui passagens pelo Sistema Faemg Senar, jornal Estado de Minas e g1 Minas, possui experiência em múltiplas plataformas e linguagens. Atualmente, integra a redação da Rádio Itatiaia, onde acompanha os principais acontecimentos de Minas Gerais, do Brasil e do mundo

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Repórter no portal da Itatiaia. Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o Tá Sabendo no Instagram da Itatiaia.

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Formado em jornalismo pela PUC Minas, foi produtor do Itatiaia Patrulha e hoje é repórter policial e de cidades na Itatiaia. Também passou pelo caderno de política e economia do Jornal Estado de Minas.