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Suspeito de matar universitário por causa de cão usou tornozeleira por bater na esposa e ameaçar matar filho

Juíza destacou que as agressões eram frequentes e continuaram mesmo após as medidas protetivas

Por e 
Gabriel foi assassinado sem ter qualquer relação com o atropelamento do cachorro
Gabriel foi assassinado sem ter qualquer relação com o atropelamento do cachorro  • Reprodução redes sociais

Procurado pela polícia, o homem suspeito de matar o estudante Gabriel Ângelo Oliveira Araújo, 26 anos, após o atropelamento de um cachorro usou tornozeleira eletrônica por bater na companheira e ameaçar matar ela e o filho do casal. As informações estão em decisão do Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra da Mulher do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). O assassinato de Gabriel ocorreu no último domingo (6), no bairro São Pedro, em Ribeirão das Neves, na Grande BH.

Na decisão de abril de 2021, a juíza Maria Aparecida Consentino Agostini, destacou que as agressões eram frequentes e continuaram mesmo após as medidas protetivas.“Em um dos episódios de violência, o agressor teria a xingado com palavras de baixo calão, além de ter a agredido com um chute na perna e quebrado o seu celular, inclusive teria enviado mensagens e áudios de ameaças e morte", descreve trecho.

"Após o deferimento do decreto protetivo, o requerido teria perpetrado novos atos de violência contra a vítima, em que ao encontrar com o que o requerido para entregar o filho, na rodoviária de Belo Horizonte, local público e movimentado, o agressor não teria se intimidado e a agredido. Em outra ocasião, ele teria enviado um áudio de Whatsapp ameaçando a requerente, dizendo que a mataria e o filho”, destaca.

De acordo a defesa da família de Gabriel, o suspeito acumula 27 processos registrados na Justiça de Minas. Desses, sete são processos de violência doméstica contra a ex.

B.O

Em uma das ocorrências, a ex-companheira disse que o suspeito era lutador de Jiu-Jitsu. Em 9 de junho e 2020, populares chamaram agentes da Guarda Municipal de BH após presenciarem o suspeito agredido a companheira. Naquela data, ela disse ser casada há 3 anos e que veio do interior do Ceará para viver com o homem juntos. Contudo, ela logo descobriu que ele era violento.

Ele teria “xingando-a com dizeres chulos ‘vagabunda, piranha, vou te matar’, agredido-a com um chute e quebrado seu telefone celular, todos os fatos na frente de seu filho menos de 2 anos”, conforme informou o boletim de ocorrência. Na ocasião, a vítima disse temer pela sua segurança e a do filho. Esse caso resultou na medida protetiva.

Em outra data, após a separação, a mulher procurou uma base de segurança comunitária e relatou ter sido vítima de ameaça. Ela contou aos militares que ele a manteve em cárcere privado e que só conseguiu escapar após fugir da casa, em Ribeirão das Neves.

“A solicitante informa ele é extremamente agressivo, provoca brigas e confusões, era praticante de Jiu-Jitsu, é usuário de drogas e teve notícia que ele está andando armado”, informou em boletim de ocorrência.

Entenda caso

Nesse domingo (6), Gabriel teria passado um dia em uma cavalgada com a família. De acordo com o relato de familiares à Polícia Militar (PM), no carro, modelo Fox, voltando do passeio, estavam: Gabriel, o primo dele, a tia dele e um amigo que conduzia o veículo.

Segundo a versão de uma das testemunhas, em determinado momento, quando eles já se aproximavam da casa da tia, um cachorro passou na frente do veículo e acabou sendo atropelado. A testemunha disse que o animal saiu correndo, mancando.

Pouco tempo depois, o amigo de Gabriel estacionou na rua Maria da Conceição Ferreira e desceu para verificar a frente do veículo.

Foi então que o motociclista, que vestia roupas escuras e capacete branco, se aproximou do carro e perguntou qual dos dois jovens tinha atropelado o cão. Antes da resposta, o criminoso atirou e acertou Gabriel. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento do crime.

O jovem foi socorrido para o Hospital São Judas Tadeu em Neves e morreu ao dar entrada no bloco cirúrgico. A perícia da Polícia Civil encontrou mais de dez cápsulas de pistola no local do crime.

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Jornalista formado em Comunicação Social pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH). Na Itatiaia desde 2008, é "cria" da rádio, onde começou como estagiário. É especialista na cobertura de jornalismo policial e também assuntos factuais. Também participou de coberturas especiais em BH, Minas Gerais e outros estados. Além de repórter, é também apresentador do programa Itatiaia Patrulha na ausência do titular e amigo, Renato Rios Neto.

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Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.

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Jornalista formado pela Newton Paiva. É repórter da rádio Itatiaia desde 2013, com atuação em todas editorias. Atualmente, está como editor de Cidades, Brasil e Mundo.