Belo Horizonte
Itatiaia

'Se eu encontrar, dou um abraço', diz pai que perdoou motorista após morte de filho em BH

Danilo Pereira Marinho, de 25 anos, morreu após acidente provocado por motorista alcoolizado no Belvedere, na Região Centro-Sul de BH

Por e 
O empresário Luís Henrique Rodrigues Pierazolli era o motorista do carro que atingiu e matou o motociclista de aplicativo e deixou um adolescente ferido em BH.
O empresário Luís Henrique Rodrigues Pierazolli era o motorista do carro que atingiu e matou o motociclista de aplicativo e deixou um adolescente ferido em BH. • Foto: Imagens cedidas à Itatiaia

Mesmo diante da dor, o pai de Danilo Pereira Marinho, de 25 anos, Vander Marinho, disse que perdoa e que abraçaria Luis Henrique Rodrigues Pierazolli, de 45 anos, motorista que provocou o acidente que terminou com a morte do filho e deixou outro jovem gravemente ferido na rodovia MGC-356, no bairro Belvedere, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, no último domingo (11).

“Se eu encontrar com ele hoje, eu dou um abraço. Eu já perdoei. A palavra de Jesus fala que, se não houver perdão, você não consegue viver”, afirmou durante um protesto por justiça realizado por motociclistas, amigos e familiares, na manhã desta quarta-feira (15), no Anel Rodoviário, no bairro Universitário, na Região da Pampulha.

Ele completou: “Já ouvi gente falando em vingança, mas isso não existe no meu coração”. Ele ainda disse que espera que Luis Henrique repense: “Se for beber, pega um Uber, não pega carro”, afirmou. Apesar do perdão, ele defende que haja punição. “Eu espero uma punição exemplar, para que outras famílias não venham chorar como a minha está chorando hoje”, concluiu.

'Para ele é troco'

Nessa terça-feira (14), o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) expediu alvará de soltura que permitiu que Luis Henrique responda em liberdade após o pagamento de fiança de R$ 48.630.

A notícia foi recebida com revolta pela família: “A vida não tem preço. Mas parece que meu filho valeu R$ 48 mil. Para ele pode ser um troco de bala, mas, para mim, ele era tudo o que eu tinha, metade da minha vida”.

• Oswaldo Diniz/ Itatiaia
• Oswaldo Diniz/ Itatiaia

Vestindo uma camisa com a foto do jovem, Vander contou que tem buscado forças na fé para enfrentar o luto. “Meu filho hoje está debaixo da terra. Está debaixo da terra. E este criminoso está solto”, afirmou.

Além da fiança, o investigado teve a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) suspensa e deverá cumprir recolhimento domiciliar noturno nos dias úteis e integral aos sábados, domingos e feriados. Em depoimento à Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), Luis Henrique confessou ter consumido bebida alcoólica antes do episódio.

Segundo o Boletim de Ocorrência (B.O.) da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), ele apresentava sinais visíveis de embriaguez.

Mudança na lei

O pai cobrou mudanças na legislação e criticou a eficácia da Lei Seca, que proíbe dirigir após consumir qualquer quantidade de álcool. “Não tem condições de uma pessoa se embriagar e tirar a vida do meu filho. A lei fala que é seca, mas é uma lei que não funciona”, declarou.

Vander relatou ainda o impacto da perda na família. “Era meu único filho. Minha esposa não teve coragem de vir, está amparada em casa pelos amigos”, contou. “A gente busca força no Senhor Jesus. Ele é nossa fortaleza, ele é nossa fé. Eu tenho pedido a Deus um renovo todos os dias para poder caminhar e tentar ter uma vida normal”, acrescentou.

Garupa segue internado

O adolescente, de 16 anos, estava na garupa da moto, ficou ferido e segue internado para o Hospital João XXIII, na Região Leste da capital. Além do empresário, outros dois homens estavam na caminhonete.

Por

Jornalista formado em Comunicação Social pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH). Na Itatiaia desde 2008, é "cria" da rádio, onde começou como estagiário. É especialista na cobertura de jornalismo policial e também assuntos factuais. Também participou de coberturas especiais em BH, Minas Gerais e outros estados. Além de repórter, é também apresentador do programa Itatiaia Patrulha na ausência do titular e amigo, Renato Rios Neto.

Por

Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.