Renê Junior, preso por matar gari em BH, diz que foi orientado a alegar 'bala perdida'
A Polícia Civil e o Ministério Público, porém, afirmam que Renê desceu armado do veículo, ameaçou a equipe de coleta e efetuou um disparo direcionado

Renê da Silva Nogueira Júnior, de 47 anos, preso por matar o gari Laudemir Fernandes, de 44, em maio deste ano no bairro Vista Alegre, na Região Oeste de Belo Horizonte, afirmou que foi orientado a dizer que a vítima teria sido atingida por uma bala perdida. A declaração foi exibida neste domingo (1º) no programa Domingo Espetacular, da Record.
Em um trecho da entrevista, ao ser questionado por Cabrini sobre o motivo de ter escrito, em uma carta, que “o que aconteceu naquele dia foi um acidente com a vítima”, Renê respondeu: “Porque foi o que o advogado falou”. Cabrini lembrou ainda que ele trocou de advogados ao longo do processo.
A carta manuscrita, na qual Renê voltou atrás da decisão de substituir o defensor pela terceira vez desde que foi preso, também menciona a versão de acidente.
“Eu estava com esse advogado e ele falou: ‘O que aconteceu deve ter sido um acidente com a vítima. Uma bala perdida deve ter atingido a vítima e você foi o cara que estava passando na hora e levou o título do negócio’”, relatou.
A Polícia Civil e o Ministério Público, porém, afirmam que Renê desceu armado do veículo, ameaçou a equipe de coleta e efetuou um disparo direcionado — e não acidental. A reportagem entrou em contato com a PC para saber se a hipótese de bala perdida chegou a ser considerada durante a investigação e aguarda um retorno.
A acusação se baseia em laudos periciais que apontam tiro a curta distância, na trajetória do projétil, em vídeos que mostram a dinâmica da abordagem, além do depoimento da motorista do caminhão de lixo, testemunha-chave que relatou ter visto Renê apontar a arma e ouvido ameaças.
A fuga do local e o fato de o suspeito ter ido à academia após o crime também foram citados pelo Ministério Público como elementos que reforçam o dolo.
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Renê também declarou que, por orientação da defesa, limita o que pode comentar: ''Até onde eu posso dizer por causa de via do processo, que, de orientações de meus advogados, é que eu posso admitir que aconteceu um incidente.''
E, ao ser questionado se mentiu, afirmou: "Não, eu não falei que não estava armado. Falei que não ia comentar nada."
Renê também negou que seu carro tenha sido identificado corretamente pela polícia. Segundo ele, “a placa do meu carro não foi filmada” e haveria “vários carros com final 7 em Minas”. Ele afirmou que sua primeira prisão teria sido ilegal e que, ao ser informado de que testemunhas o reconheceram e que a placa do veículo havia sido registrada, pediu para ver a suposta evidência.
De acordo com sua versão, o delegado teria respondido que “só achou que tinha placa sete” e que, a partir disso, equipes passaram a buscar veículos com o mesmo final em diferentes endereços.
Audiência
Renê afirmou durante audiência nessa quarta-feira (26) que não confessou ter matado o gari, e que só admitiu o crime à polícia porque teria sido ameaçado por investigadores. A declaração foi dada no 1º Tribunal do Júri Sumariante, no bairro Barro Preto, Região Centro-Sul de Belo Horizonte. A sessão, realizada por videoconferência, durou cerca de 2h30 e terminou por volta das 11h30.
Embora tenha falado sobre sua trajetória pessoal, o empresário não respondeu às perguntas e sustentou que jamais admitiu a autoria do disparo.
'Acabei com a minha carreira e com a dela'
Renê também comentou a relação com a esposa, Ana Paula Lamego Balbino Nogueira. Ela se tornou ré por prevaricação e foi afastada do cargo de delegada após a prisão do marido.
Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o Tá Sabendo no Instagram da Itatiaia.




