Juiz flagrado bebendo vinho durante sessão do TJMG recebeu R$ 105 mil de salário
Milton Lívio Lemos Salles foi afastado nesta terça-feira (11) e é alvo de sindicância da Corregedoria do Tribunal

O juiz Milton Lívio Lemos Salles, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), recebeu R$ 105.073,16 em rendimentos no mês de junho deste ano, segundo dados do Portal da Transparência da Corte. Após os descontos, o rendimento líquido informado no documento foi de R$ 83.583,55.
Salles atua como juiz auxiliar no 4º Núcleo de Justiça 4.0 - Cível Família, na segunda instância do TJMG. Ele se tornou alvo de repercussão após aparecer, durante uma sessão de julgamento por videoconferência, usando bermuda, fumando e bebendo uma garrafa de vinho. O episódio ocorreu nessa segunda-feira (10).
Ainda conforme os dados, a composição dos rendimentos divulgados pelo TJMG mostra R$ 13.212,08 de remuneração do cargo, R$ 39.753,21 em vantagens pessoais, R$ 13.913,62 em indenizações, R$ 24.280,63 em vantagens eventuais e R$ 13.913,62 em gratificações. A soma desses valores corresponde aos R$ 105.073,16 registrados como total de rendimentos pagos no mês.
Do valor bruto, foram descontados R$ 7.092,39 de previdência pública e R$ 14.397,22 de Imposto de Renda, totalizando R$ 21.489,61 em descontos. O documento aponta, assim, rendimento líquido de R$ 83.583,55.
O próprio Portal da Transparência esclarece que o campo “Total dos rendimentos pagos no mês” reúne os valores classificados como remuneração, vantagens, indenizações, vantagens eventuais e gratificações. Já o rendimento líquido é calculado após os descontos registrados na folha. O TJMG também ressalva que o valor efetivamente recebido pode ser menor em razão de descontos pessoais que não aparecem na publicação, como pensões e consignações.
Juiz é afastado do TJMG
O corregedor-geral de Justiça de Minas Gerais, desembargador Raimundo Messias Júnior, determinou, no início da tarde desta terça-feira (11), o afastamento imediato de Milton Lívio Lemos Salles. A decisão foi tomada após a Presidência do TJMG comunicar à Corregedoria sobre os fatos.
O afastamento será submetido à apreciação do Órgão Especial do TJMG, em caráter ad referendum. A Corregedoria-Geral de Justiça também instaurou uma sindicância para apurar os fatos. Com o afastamento, os processos judiciais que estavam sob a relatoria de Salles serão redistribuídos.
Um magistrado de primeiro grau será convocado para substituí-lo na atuação no Núcleo de Justiça 4.0 – Cível Família.
Vídeo durante sessão
O caso veio à tona depois que vídeos mostraram o juiz durante uma sessão virtual do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Além de fumar e beber, o magistrado aparece usando bermuda.
As normas para audiências virtuais do TJMG estabelecem que magistrados devem se vestir como se estivessem em uma audiência presencial e não podem realizar atividades alheias à sessão durante a participação. O CNJ também prevê que o decoro exigido em atos presenciais deve ser mantido nas videoconferências.

OAB-MG pede afastamento
Antes da decisão da Corregedoria, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em Minas Gerais (OAB-MG), Gustavo Chalfun, afirmou à Itatiaia que a entidade encaminharia uma representação à Corregedoria-Geral de Justiça do TJMG e ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), pedindo o afastamento cautelar do magistrado.
Segundo Chalfun, a OAB-MG considera as imagens “extremamente preocupantes” e entende que os órgãos responsáveis pela fiscalização da magistratura devem analisar a conduta do juiz.
Juiz acusa tribunais de corrupção
Após a repercussão das imagens, Salles enviou um vídeo a colegas em que acusou, sem apresentar provas, o TJMG, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), e o Supremo Tribunal Federal (STF) de corrupção.
O magistrado também afirmou ser vítima de “difamação” e disse ter 36 anos de magistratura. Na gravação, fez críticas à estrutura do Judiciário e mencionou, entre outros assuntos, a compra de mais de 170 veículos Corolla híbridos pelo TJMG. As acusações feitas por Salles não foram acompanhadas, no vídeo, de documentos ou provas.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o Tá Sabendo no Instagram da Itatiaia.



