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Queda de avião em BH: liberação de prédio exige retirada dos destroços

Caminhão guincho retira carcaça da aeronave (motor e cabine) na tarde desta terça-feira (5); monomotor atingiu um edifício no bairro Silveira na segunda (4)

Por e 
Queda de avião em BH: Cenipa retira destroços para liberação do prédio
Trabalho é realizado nesta tarde (5) • Anderson Porto/ Itatiaia

As investigações sobre a queda do monomotor que atingiu um edifício no bairro Silveira, na Região Nordeste de Belo Horizonte, avançaram nesta terça-feira (5). Equipes do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) e da Polícia Civil realizam a coleta de dados e vestígios no local para identificar os fatores que contribuíram para a tragédia, que resultou em três mortes.

Embora o local esteja isolado para o trabalho pericial, a Defesa Civil de Belo Horizonte informou que não há interdição total por risco estrutural. Segundo o subsecretário de Proteção e Defesa Civil, Elcione Menezes, a edificação está preservada, mas o isolamento é necessário para garantir a integridade das evidências para perícia.

Moradores podem entrar de forma controlada, com acompanhamento da Polícia Militar, para retirar pertences essenciais como remédios e roupas. Apenas os apartamentos 301 e 302 permanecem isolados devido à insalubridade e presença de escombros, onde o avião atingiu.

Um caminhão guincho está posicionado para retirar a carcaça da aeronave (motor e cabine) nesta tarde (5), trabalho que será executado por uma empresa contratada pelos proprietários sob orientação do Cenipa.

"Não há anomalias estruturais. Após a limpeza interna e o vedamento da parede danificada na fachada, o prédio será liberado para habitação normal", explicou Menezes. Não há, contudo, uma previsão exata para o fim dos trabalhos, descritos como "cuidadosos e lentos".

Investigação e irregularidade

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) instaurou inquérito para apurar as circunstâncias do acidente. Além de ouvir testemunhas e o proprietário da aeronave, a polícia investiga a regularidade da operação.

De acordo com o Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), o avião modelo EMB-721C, fabricado em 1979, pertence a uma empresa de telecomunicações de Teófilo Otoni. O registro aponta que a aeronave estava com "operação negada para táxi aéreo", o que significa que não poderia realizar o transporte remunerado de passageiros.

Vítimas

piloto do avião Wellinton de Oliveira Pinto e Fernando Souto Moreira, de 34 anos, filho do prefeito de Jequitinhonha, morreram no momento do acidente. Outro passageiro, Leonardo Berganholi Martins, de 50 anos, chegou a ser internado em estado gravíssimo no Centro de Terapia Intensiva (CTI) do Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, mas faleceu na noite de segunda (4).

O corpo da terceira passou por necropsia no Instituto Médico Legal (IML) de BH e foi liberado para a família. Outras duas pessoas que estavam a bordo continuam internadas sob cuidados médicos.

O Coronel Carvalho, do Cenipa, reforçou que a "Ação Inicial" visa coletar dados para prevenir novos acidentes, sem buscar culpados neste momento, enquanto a Polícia Civil foca na responsabilização criminal e cível pelos danos causados.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde