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'Quanto mais eu vivo, mais prazer eu tenho', diz idoso de 95 anos que comanda bar raiz em Betim

Divino Leonel de Araújo, 95 anos, é conhecido como 'senhor mocotó', em razão do caldo que faz há décadas 

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Senhor Divino comanda bar há quatro décadas em Betim
Senhor Divino comanda bar há quatro décadas em Betim • Naice Dias/Itatiaia

Qual o segredo da longevidade? Para Divino Leonel de Araújo, 95 anos, a resposta é bar, trabalho e caldo do mocotó. O idoso comanda sozinho um boteco raiz que leva o seu nome, no bairro Alvorada, em Betim, região metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). A história do Bar do Divino encerra, nesta sexta-feira (11), a segunda temporada da série especial Comida, Boteco e os Segredos da Grande BH.

Aos 95 anos, senhor Divino esbanja vitalidade. Ele decidiu abrir um bar há 42, quando ficou desempregado. E nunca mais parou. Ele mesmo construiu o imóvel onde funciona o bar e cuida de cada detalhe, como o caldo de mocotó que ele prepara sozinho e que muitos dizem ser o segredo do vigor.

“Tudo que eu faço é com prazer. E, geralmente, é a turma que me leva nessa atividade, porque o que eu tenho nesse mundo pra dar e vender é amizade. E com essa amizade é que vou levando a vida desse jeito. Quanto mais eu vivo, mais prazer eu tenho. O trabalho faz parte da minha vida, porque sem o trabalho eu não vivo. Fora do trabalho, só quando estou viajando. Fora disso, é aqui que me encontro”, diz o idoso. “O segredo tá no sangue. O (caldo de mocotó) é o chefão. Esse aí me acompanha há 42 anos: 42 anos de bar e 42 anos de caldo. Eu mesmo que faço, cozinho, tempero”, diz Divino.

O bar funciona todos os dias, a partir das 9h, e não tem hora para fechar: “É o freguês que manda. Se tiver cliente, viro a noite. Dormindo 2 horas, às 9h estou com o bar aberto”, garante.

Além do caldo de mocotó, o Bar do Divino tem a tradicional estufa com torresmo, ovo cozido, linguiça, além de campeonato de sinuca, almoço de graça para clientes dois domingos por mês e, é claro, um troféu do futebol amador. Cerveja gelada e barata também não falta. O valor da garrafa de 600 ml varia entre R$ 7 e R$ 12, dependendo da marca.

Divino é casado há 35 anos com Irani Ana de Oliveira, de 71 anos. A companheira conta que o marido é muito ativo e não para um minuto. “A gente vive bem, passeia e onde ele falar que vai, eu tô indo. Nunca falei não”, diz. Sobre o preparo do caldo, ela conta que o marido é sistemático. “Ele não gosta nem que eu coloque a mão. Admiro o marido que eu tenho, pela idade e pela vitalidade que ele tem dentro casa. Só os dois sabemos”, brinca.


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Exemplo

Divino é exemplo para clientes, moradores e familiares. Jakson Leonel Araújo, 58 anos, é um de seus 12 filhos. “Falo que o segredo do meu pai é a força de vontade e a dedicação do dia a dia dele. A gente mesmo fala que não é hora de parar. A hora que tiver de parar, ele vai parar. Enquanto ele tiver nesse corre, no dia a dia dele, trabalhando, com as amizades boas, ele tem que dar continuidade na vida dele de trabalhar. E ele gosta de viver”, destacou o filho. Ele conta que o pai criou a família com muitas dificuldades e sempre ensinou o caminho correto.

“Meu pai me deu tudo para eu trabalhar. Não me deu nada em finanças, porque não tinha condições. Ele tinha que correr para ele e por nós, pois éramos muitos filhos. Então, graças a Deus, cada um correu e hoje nós somos todos dignos. É um legado que a gente leva para os filhos da gente”, diz.

Concunhado de Divino, João Bosco Quirino, 61 anos, foi quem procurou a Itatiaia para falar sobre o bar. "Não sou capaz de fazer o que ele faz. O segredo, acho que é a vivência com a família, jovialidade e alegria”, diz.

Referência

Clientes dizem que se sentem em casa no bar. Eles mesmos pegam a cerveja, abrem, tomam e depois acertam. O caldeireiro Renê Miguelino dos Reis, 37 anos, diz ser cliente vip do bar e descreve o segredo do carro-chefe do local. “É aquele caldo que cola a boca. Não é aquele caldo de mocotó aguado, não. É raiz mesmo, caldo raiz. A ressaca sai na hora. E é bom que tem um fiadinho. Para nós que somos clientes VIP, tem o fiadinho. Venceu o mês, vem, paga e tem o crédito para o mês todo de novo", explica.

O assistente técnico Elias Rodrigues Ferreira, 54 anos, também elogia o caldo. “O Bar do Divino é referência no Alvorada. Pelo amor de Deus, esse caldo dele é impossível. Ele sempre fala com a gente que o caldo de mocotó revitaliza qualquer ser humano”.

Ouça a reportagem aqui:

Serviço Bar do Divino:

Endereço: Rua Inconfidentes, 160, Bairro Alvorada - Betim
Funcionamento: Todos os dias, a partir das 9h (vai até o último cliente ir embora)
Caldo de mocotó: toda quinta-feira

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Jornalista formado pela Newton Paiva. É repórter da rádio Itatiaia desde 2013, com atuação em todas editorias. Atualmente, está como editor de Cidades, Brasil e Mundo.