Policial penal que matou companheira no Padre Eustáquio, em BH, vai a júri popular
Rodrigo Caldas Fonseca confessou ter matado Priscilla Mundim Pantuzza em agosto de 2025

Rodrigo Caldas Fonseca, policial penal de 45 anos, acusado de matar a namorada, Priscilla Mundim Pantuzza, de 46 — em agosto de 2025, dentro de um apartamento no Bairro Padre Eustáquio, na Região Noroeste de Belo Horizonte — vai a júri popular. A decisão foi divulgada pela Justiça em Minas Gerais nesta sexta-feira (26).
O réu, que confessou ter matado a companheira, teve prisão preventiva decretada dias após o crime. Em maio deste ano, ele passou por exame de insanidade mental. Porém, o laudo concluiu que Rodrigo "não apresenta dependência toxicológica nem alcoólica e apresenta normais capacidades de entendimento e de determinação ao exame mental atual e em conexão com os fatos em tela do ponto de vista da psiquiatria forense".
Rodrigo segue em prisão preventiva, mantida pela juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, do Tribunal do Júri, 1º Sumariante de Belo Horizonte.
Oito testemunhas foram ouvidas durante uma audiência de instrução e julgamento, realizada em fevereiro deste ano. Com os depoimentos, Boletim de Ocorrência (B.O), anexos fotográficos, laudo de levantamento pericial e outros documentos, a Justiça destacou: "até o presente momento é incontroverso nos autos que o réu foi o autor dos fatos que culminaram na morte da vítima".
Acusação e possíveis penas
Ainda de acordo com o magistrado, Rodrigo Caldas Fonseca foi pronunciado pela suposta prática do crime de feminicídio com dois agravantes: meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. Confira, abaixo, as penas previstas para o crime:
- Feminicídio: de 20 a 40 anos de reclusão.
- A prática do crime com meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima funciona como causas de aumento (majorantes) ou qualificadoras que incidem no cálculo da pena dentro desse patamar estabelecido pelo Código Penal.
Feminicídio é o homicídio de uma mulher cometido por razões de gênero, ou seja, pelo simples fato de ela ser mulher. É a manifestação mais extrema da violência doméstica, familiar ou da discriminação e misoginia (ódio contra mulheres) na sociedade.
Como buscar ajuda?
Se você ou alguém que você conhece está sofrendo violência doméstica, é possível buscar orientação e realizar denúncias de forma sigilosa através da Central de Atendimento à Mulher ligando para o número 180. Em situações de emergência iminente, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo número 190.
O crime
O crime aconteceu na madrugada do dia 16 de agosto, no Bairro Padre Eustáquio, na Região Noroeste de Belo Horizonte. Priscilla Azevedo Mundim, de 46 anos, foi encontrada morta com sinais de estrangulamento e agressões no apartamento em que morava.
No local, os policiais também localizaram Rodrigo Caldas, namorado da vítima, que, depois de matá-la tentou tirar a própria vida com uma facada na barriga. Na época ele foi socorrido e encaminhado ao Hospital João XXIII.
A Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) foi acionada para a ocorrência após o tio do policial contar que recebeu uma ligação de Rodrigo confessando o crime e dizendo que também tiraria a própria vida. Assutado, o tio acionou imediatamente a corporação.
Familiares revelaram à Itatiaia que o laudo apontou que Priscilla foi morta por asfixia mecânica por constrição e traumatismo craniano contuso, ou seja, ele a enforcava e batia a cabeça dela ao mesmo tempo.
Priscilla e Rodrigo estavam namorando há aproximadamente cinco meses.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



