Polícia Civil indicia 15 pessoas pela morte de dez idosos em asilo em Divinópolis
Entre os indiciados está uma freira que, segundo as investigações, atuava como responsável técnica pela enfermagem sem estar apta para exercer a função

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) concluiu, nesta quarta-feira (18), o inquérito que apurou denúncias de maus-tratos na Instituição de Longa Permanência Vila Vicentina Padre Libério, em Divinópolis, região Centro-Oeste de Minas, e indiciou 15 pessoas. O órgão informou que 58 pessoas foram vítimas da instituição e, dessas, dez morreram por falta de de assistência médica.
Entre os indiciados, está uma freira que, segundo as investigações, atuava como responsável técnica pela enfermagem, prescrevia medicamentos e os administrava sem estar comprovadamente apta para realizar a função.
Ainda de acordo com a Polícia Civil, a mulher tinha acesso ao carimbo e ao receituário de um médico que atuava há 33 anos no local. Além da freira, uma técnica de enfermagem também agia ilicitamente ao prescrever medicamentos para os idosos que moravam na instituição.
Também foram indiciados o presidente da instituição à época, membros da diretoria e do conselho, além da responsável técnica e de demais coordenadores, funcionários e colaboradores que prestavam serviços no local.
Delegada responsável pelo inquérito, Adriene Lopes detalhou o caso.
“A freira, enfermeira responsável técnica pela instituição, foi indiciada por crimes de infração de medida sanitária preventiva, exercício ilegal da medicina, curandeirismo, homicídio omissivo impróprio, cárcere privado, tortura e maus-tratos. Ela também foi indiciada - assim como o médico responsável pela unidade - por falsidade ideológica. Além disso, sete técnicos e auxiliares de enfermagem foram indiciados por maus-tratos, cárcere privado e tortura, sendo este último crime também imputado a outros seis funcionários da entidade”, disse Adriene, em entrevista coletiva nesta quarta.
Negligência
A PCMG também apurou denúncias de negligência em relação ao estado de saúde de alguns idosos, que teria culminado na morte de dez pessoas. De acordo com equipe técnica da Polícia Civil, funcionários alertavam sobre a gravidade do estado de saúde dos pacientes e sobre a necessidade de cuidados médicos em Unidades de Pronto Atendimento. Segundo as pessoas ouvidas na investigação, mesmo com os alertas, a freira não acionava as instituições de saúde.
Ainda segundo órgão, durante diligências ao local nas investigações, foram encontrados pacotes de fraldas descartáveis e medicamentos armazenados de forma inadequada, além de seringas preparadas para serem injetadas sem qualquer identificação
O inquérito também apurou relato de funcionários de que em alguns casos os idosos eram castigados. Segundo testemunhas, quando alguns pacientes não se "comportavam bem", as vítimas recebiam ameaças de serem levados para uma sala que era usada como cela, ou de serem presos com contenções. Uma sala com grades e um cadeado foi encontrada na instituição.
A Polícia Civil investigava denúncias desde abril de 2022, quando a instituição foi interditada.
*Sob supervisão de Lucas Borges
Ana Luisa Sales é jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Na Itatiaia desde 2022, já passou por empresas como ArcelorMittal e Record TV Minas. Atualmente, escreve para as editorias de cidades, saúde e entretenimento
