Pelo menos três pessoas são atropeladas por dia em Belo Horizonte
Para o especialista de trânsito Frederico Rodrigues, todos os usuários da via têm que estar 100% focados no trânsito para, eventualmente, ver o erro do colega e minimizar esse erro

Belo Horizonte registrou ao menos 501 atropelamentos entre janeiro e 11 de maio de 2026, uma média de três ocorrências por dia, segundo levantamento da Secretaria Municipal de Saúde com base em atendimentos realizados pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Os números acendem um alerta para a violência no trânsito da capital mineira e podem ser ainda maiores, já que o balanço não inclui casos atendidos por outros serviços de emergência ou vítimas que buscaram socorro por meios próprios.
Somente nesta semana, três pessoas foram atropeladas por ônibus na Região Central de Belo Horizonte. No caso mais recente, registrado na quinta-feira (14), um homem de 32 anos morreu após ser atingido por um coletivo. Em outro caso, ocorrido na quarta-feira (13), um homem, de 55 anos, foi atropelado por um ônibus na esquina da Rua Caetés com a Rua Espírito Santo, no hipercentro. A vítima foi socorrida com fratura exposta na perna, conforme informação divulgada pelo Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG).
A área central da capital mineira concentra 13% dos atropelamentos registrados na cidade em 2026. Até o momento, foram 66 ocorrências na região. Em todo o ano de 2025, o Centro contabilizou 162 casos — cerca de 10% dos 1,5 mil atropelamentos registrados em Belo Horizonte. Já em 2024, a regional teve 142 ocorrências, equivalente a 7% do total de 1.789 casos na capital.
Para o doutor em Engenharia de Transportes Frederico Rodrigues, os números reforçam a necessidade de todos os usuários redobrarem a atenção ao se deslocarem. Ele ressalta que deve haver uma contribuição mútua: 'Se uma pessoa esquece de olhar para os dois lados ao atravessar, o motorista pode evitar uma tragédia ao notar aquela presença e tomar uma atitude'.
Ainda sobre a Região Central, o especialista destaca que a necessidade de atenção é ainda maior, por se tratar de um local de muito movimento. “O centro é o local de maior movimento da cidade, com alto fluxo de veículos, com alta presença de pedestres. Todos os usuários da via têm que estar com a atenção de vigilância, ou seja, o pedestre tem que estar 100% focado no trânsito e os motoristas têm que estar sempre focados no trânsito. Para quê? Para você realmente, eventualmente, ver o erro do colega e minimizar esse erro”, explicou o doutor em Engenharia de Transportes.
Desatenção e ponto cego dos ônibus
Na manhã da última quinta (14), Bruno de Freitas Gomes de Souza, de 32 anos, foi atropelado por um ônibus da linha 9204 (Santa Efigênia / Estoril) enquanto procurava o seu celular, que havia caído na via enquanto ele retornava de uma festa. De acordo com o especialista Frederico Rodrigues, o caso demonstra um "exemplo de desatenção" de leitura do pedestre em relação à complexidade do ambiente urbano, especialmente no Centro de uma cidade tão grande quanto Belo Horizonte.
“Você pensar que a pessoa deixou o celular cair e estava procurando, ou seja, ela estava em completa desatenção com o ambiente do entorno. E as noções de direção defensiva falam que nós temos que estar com a atenção em estado de vigilância quando estamos no trânsito”, lembrou.
Ainda neste mês, no dia 8 de maio, uma idosa, de 80 anos, também morreu atropela por um ônibus em Belo Horizonte. O acidente ocorreu na Avenida Amazonas no cruzamento com a Rua Padre Belchior, e envolveu o coletivo da linha 9202 (Pompéia/Jardim América). Segundo o Corpo de Bombeiros, o motorista do ônibus relatou que havia outro ônibus paralelo ao dele. A idosa atravessou a rua e, por isso, ele não enxergou a vítima.
Ainda conforme o doutor em Engenharia de Transportes, a responsabilização dos acidentes não cabe apenas aos usuários da via. À Itatiaia, ele explicou que a infraestrutura também deve ser pensada afim de precaver situações de risco. "Na filosofia da segurança viária existe sempre o fator contribuinte de erro e falha humana. O que a gente sempre tenta é que a infraestrutura seja o mais fácil de compreensão possível e mais preparada possível para o erro humano. Porque errar é humano e, logo, a gente tem que considerar essa variável na equação", finalizou.
Veja os números de atropelamentos
Período Belo Horizonte Região Central
2024 1789 142
2025 1520 162
2026 501 66
Jornalista formada pelo UniBH, é apaixonada pelo dinamismo do factual e pelo poder das histórias bem narradas. Com trajetória que inclui passagens pelo Sistema Faemg Senar, jornal Estado de Minas e g1 Minas, possui experiência em múltiplas plataformas e linguagens. Atualmente, integra a redação da Rádio Itatiaia, onde acompanha os principais acontecimentos de Minas Gerais, do Brasil e do mundo
Jornalista pela PUC Minas. Na Itatiaia, escreve para Minas Gerais e Brasil. Anteriormente, trabalhou no jornal Estado de Minas como repórter de Gerais, com contribuições para os cadernos de Política, Economia e Diversidade.

