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Passageiros protestam contra superlotação e demora de ônibus na Grande BH

Moradores do bairro Petrovale denunciam longas esperas, veículos quebrados e redução da frota

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Moradores do bairro Petrovale denunciam longas esperas, veículos quebrados e redução da frota • Cléver Ribeiro

Moradores dos bairros Petrovale, Cascata, Petrolina, Jardim das Rosas, Montreal, Ouro Negro e Nazareno realizam um protesto na manhã desta segunda-feira (11), com mais de 100 pessoas, na divisa entre Betim e Ibirité, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, contra a má qualidade do transporte público metropolitano.

O transito Av. Refinaria Gabriel Passos está liberado.

Os passageiros reclamam da superlotação, demora excessiva e das condições precárias dos ônibus que atendem a região. Segundo os manifestantes, algumas pessoas chegam a esperar até três horas nos pontos.

As reclamações envolvem principalmente as linhas 1660, 1680, 1710 e 1720. Aos domingos, os usuários também apontam problemas nas linhas 1671 e 1640.

'Todo mundo aqui acorda às 4h para trabalhar'

A garçonete Sheila Cristina de Almeida afirmou que a população está cansada da situação enfrentada diariamente.

“A população do Petrovale está extremamente revoltada. Todo mundo aqui levanta às 4 horas da manhã para trabalhar e não tem ônibus. Tiraram praticamente sete veículos da linha”, afirmou.

Segundo ela, além da redução da frota, os coletivos circulam lotados e sem condições adequadas.

“A gente vai espremido, sem lugar para sentar. Tem ônibus quebrado, sem freio, com porta aberta, ônibus sujo, com rato e barata dentro. Chove mais dentro do ônibus do que do lado de fora”, disse.

Os passageiros também reclamam do valor da tarifa, atualmente em R$ 10,40.

Protesto começou após quase três horas de espera

O morador Rogis Pains, conhecido como Diel, contou que a manifestação começou após usuários ficarem quase três horas aguardando ônibus no Centro de Belo Horizonte.

“Na sexta-feira, ficamos 2 horas e 50 minutos esperando no ponto. Quando o ônibus chegou, veio lotado e não parou em nenhum ponto”, relatou.

Segundo ele, o protesto foi organizado de forma pacífica pelos moradores.

“Não tem quebradeira, não tem vandalismo. Aqui todo mundo é trabalhador e quer respeito”, afirmou.

Manifestantes relatam tensão com a polícia

Durante o ato, os moradores disseram que houve tensão com policiais militares.

“Mais cedo a polícia ameaçou usar spray de pimenta. Nós pedimos consciência, porque aqui não tem vagabundo. Todo mundo acorda cedo e chega tarde em casa”, disse Rogis.

Os passageiros afirmam que a precariedade do transporte tem afetado até mesmo a saúde mental dos trabalhadores.

O que diz o sindicato

"Representantes da empresa consorciada estiveram no local para acompanhar e dialogar com os manifestantes. As reclamações foram registradas e já estão sendo apuradas junto à empresa responsável pela operação e às equipes técnicas, ficando acordado, inclusive, que reuniões com as lideranças do movimento serão realizadas nos próximos dias, a fim de identificar pontos de ajuste e medidas operacionais possíveis.

Sobre horários e lotação, o Sintram esclarece que a logística das linhas metropolitanas é acompanhada de forma permanente pelas empresas, pelo sindicato e pelo órgão regulador, com o objetivo de equilibrar oferta e demanda nas regiões atendidas. No caso das linhas citadas no protesto, a análise operacional também será reforçada para mapear possíveis pontos de melhoria, especialmente nos horários de maior concentração de passageiros.

O Sindicato compreende a preocupação dos manifestantes e reconhece que o transporte metropolitano deve avançar sempre com regularidade, conforto e previsibilidade. É importante destacar, porém, que o sistema metropolitano enfrenta um cenário estrutural desafiador, que atinge toda a Região Metropolitana de Belo Horizonte. A operação ainda convive com demanda inferior à registrada antes da pandemia, ao mesmo tempo em que custos essenciais, como diesel, peças, manutenção e demais insumos, seguem pressionando fortemente o serviço. O diesel, por exemplo, representa parcela relevante dos custos do transporte coletivo e qualquer alta impacta diretamente a capacidade de operação e de ampliação da oferta.

Mesmo diante desse cenário, as empresas têm buscado preservar o atendimento à população e reduzir o mínimo possível os impactos sobre as comunidades. A frota que atende a região passou por renovação recente, com a entrada de cerca de 20 veículos novos para a região a partir do acordo de renovação firmado com o Governo de Minas, e todos os ônibus seguem rotinas de manutenção e vistoria. Ainda assim, a empresa consorciada será acionada para reavaliar os procedimentos operacionais e verificar se há medidas adicionais que possam contribuir para melhorar a regularidade do serviço.

O Sintram reforça que a melhoria estrutural do transporte metropolitano depende também da construção de uma nova forma de custeio para o sistema, preservando o equilíbrio dos contratos. Hoje, grande parte da operação é sustentada pela tarifa pública, paga diretamente pelo passageiro. O sindicato defende a diferenciação entre tarifa pública e tarifa técnica, que representa o custo real do serviço, e a adoção de mecanismos de complementação pública, como subsídio, para que seja possível ampliar viagens, reduzir tempo de espera e melhorar o atendimento sem transferir todo o peso da operação para o usuário."

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Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego & Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.