Pais presos por quebrarem pernas de bebê podem ter matado outro filho em Minas; entenda
Outro filho do casal morreu asfixiado com um travesseiro; família tem histórico de violência doméstica e familiar

O caso das agressões sofridas por um bebê de apenas dois meses que teve as pernas quebradas, em João Pinheiro, região Noroeste de Minas, teve uma reviravolta nesta quarta-feira (24) após a mãe da criança ser presa e afirmar que, no ano passado, um outro filho do casal foi morto asfixiado pelo pai enquanto mamava. O casal têm 21 anos.
O pai, que foi preso flagrante na segunda-feira (22), foi autuado pela Polícia Civil de Minas Gerais (PC) pelos crimes de violência doméstica contra a mãe da criança, tentativa de homicídio qualificado por motivos cruéis contra pessoa menor de 14 anos e com um agravante pelo fato de ser pai do bebê.
A mãe, presa nesta quarta-feira (24), mudou a versão apresentava anteriormente à polícia e também foi autuada por maus tratos qualificado e por lesões graves contra uma pessoa menor de 14 anos. As informações foram repassadas pela PC durante coletiva de imprensa na tarde de hoje.
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Morte de outra criança
Em 2022, uma outra criança de um mês e 17 dias, do mesmo casal, também morreu. O caso é investigado pela PC. Segundo o delegado, na época dos fatos, a mãe havia alegado morte natural, após a criança mamar normalmente à noite e acordar morta no dia seguinte. Essa versão, no entanto, foi mudada pela mãe na segunda-feira (22).
“Ela afirmou que quem foi o responsável pela morte da criança foi o pai. Que a criança estava chorando no momento em que o suspeito dava mamadeira e que ele, nervoso, também motivado por uma crise de ciúme, teria amarrado a companheira e, com um travesseiro, teria sufocado a criança até a morte. O laudo pericial constatou que a causa da morte poderia ser asfixia mecânica, o que corrobora com a versão da mulher”, disse o delegado.
Diante do novo quadro probatório, as investigações prosseguem. “Nossa linha de investigação mudou e agora vamos apurar se ela também teve participação na condição de omissão e podendo também responder pelo crime praticado pelo marido”, concluiu.
Entenda o caso
Na segunda-feira (22), a Polícia Militar (PM) foi acionada no hospital da cidade, após uma criança de pouco mais de um mês de vida dar entrada na unidade, com várias fraturas pelo corpo. Os médicos acionaram a polícia e o casal foi encaminhado para a delegacia.
Conforme informações do delegado Danniel Pedro da Conceição, responsável pela investigação, durante o depoimento, a mãe da criança revelou que os fatos aconteceram na tarde do dia 19 de maio.
“Durante uma crise de cólica da criança, ela começou a chorar e o pai, bastante alterado, agrediu a criança e jogou ela no chão, por algumas vezes. Diante disso, a mulher queria chamar a polícia, mas o homem ameaçou ela de morte”, revelou.
O casal, segundo a polícia, tem histórico de violência doméstica familiar. O suspeito, inclusive, está sendo denunciado pelo Ministério Público (PM) em relação à lesão corporal em situação de violência doméstica.
A criança foi levada pela mãe ao hospital apenas três dias após o bebê sofrer a violência, aproveitando que o pai saiu de casa para trabalhar em uma carvoaria da cidade.
“Foi constatado que a criança possuía duas perninhas quebradas, já quase em sinal de amputação. Diversas lesões na região do rosto e nariz, e lesões já consolidadas e uma na região cervical. Ela ainda estava com dificuldade de movimentar o pescoço”, disse o delegado, acrescentando que a mãe da vítima primeiro disse que ambos agrediam a criança, mas, na sexta-feira (19), o responsável seria apenas o companheiro.
Diante das provas e novos depoimentos, o suspeito foi autuado em flagrante por ameaça em contexto de violência doméstica e indiciado pelo crime de tentativa de homicídio qualificado, cuja pena pode ultrapassar os 10 anos de prisão. Ambos responderão pelo crime de maus-tratos qualificado por lesões graves.
Jornalista graduada em 2005 pelo Centro Universitário Newton Paiva, com experiência em rádio e televisão. Desde 2022 atua como repórter de cidades na Itatiaia.
