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Caso Rafaela Drumond: pai da escrivã acusa Polícia Civil de tê-lo pressionado durante funeral da filha

Aldair Drumond contou que o delegado superior da filha, e outros policiais, o procuraram durante o funeral de Rafaela e fizeram pressão

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Aldair Drumond participu de audiência pública de debatia caso de assédio moral na Polícia Civil
Aldair Drumond participu de audiência pública de debatia caso de assédio moral na Polícia Civil • Luiz Santana | ALMG

O pai da Rafaela Drumond, escrivã da Polícia Civil que tirou a própria vida após denunciar casos de assédio moral e sexual, relatou que o delegado superior da filha chegou a pedir a exoneração dela e pressionou a família da vítima durante o funeral. Aldair Drumond falou que espera que a perícia do celular da filha traga provas de que ela estava sendo pressionada pelos superiores, o que levou a uma depressão severa. 

Aldair Drumond estava presente na audiência pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais que debatia casos de assédio da Polícia Civil. Na ocasião, outras mulheres acusaram terem sofrido assédio moral e perseguição, além de terem sido aposentadas compulsoriamente após denúncias na instituição. 

“No dia do funeral dela, eu ali amargurado e sofrendo, a Polícia Civil com os delegados fizeram uma pressão muito forte em cima de mim. Esse delegado [superior de Rafaela] chegou para mim no momento que eu estava esperando o corpo da minha filha chegar na funerária. Chegou um monte de policial em volta de mim e ele [delegado] disse ‘eu já tinha pedido a exoneração da sua filha’. Eu naquele momento, sofrendo, ele me fez uma pressão. Imagina o que a minha filha estava sofrendo com esse delegado”, lamenta Aldair. 

Sonho que se tornou pesadelo

Durante a audiência pública, Aldair contou que Rafaela sonhava em ser delegada, mas perdeu o brilho nos olhos após dezembro de 2022. Na época, ela parou de contar para os pais sobre os casos da delegacia, e evitava falar do trabalho, o que causou estranheza na família, que sempre foi próxima e a apoiava na carreira. 

“Abriu o concurso em 2019 e eu trazia ela para Belo Horizonte, acompanhava tudo. Ela estava sempre empolgada, o sonho dela sempre foi ser delegada, até dezembro de 2022 e janeiro de 2023. Eu sempre a buscava na rodoviária, e ela parou de dialogar comigo sobre a polícia. Ela sempre era empolgada, mas de janeiro para cá que percebi que ela ficou mais restrita com relação da delegacia”, relatou Aldair. 

Ele conta que chegou a questionar Rafaela se estava tudo bem, mas ela disse que nada tinha acontecido e que ela estava quieta porque queria focar nos estudos. Mais tarde, ele descobriu que nesta época o delegado superior de Rafaela tinha pedido a exoneração dela da Polícia Civil.

“A gente teve uma informação que em janeiro desse ano ela chegou nele [delegado] e pediu para ser transferida. Mas ele falou ‘você não vai ser transferida não, você vai ficar aqui’, tipo uma pressão. Inclusive ele falou ‘quero que você seja exonerada’, como se fosse uma empresa civil e você que peça a conta”.

A vida após

Aldair afirmou que, apesar de estar muito abalado com a morte da filha, decidiu comparecer à audiência pública para ajudar na criação de um projeto de lei que projeta mulheres que sofrem as mesmas coisas que Rafaela sofreu. 

Para não afogar no luto, o pai de Rafaela disse que está focado em apoiar a esposa e a outra filha, além do neto. Ele também afirmou que encontra conforto em um projeto social que participa, em que abriga mais de 50 animais de rua. 

“Nós estamos destruídos, é uma derrota. É um tipo de dor que você não tem como dividir com ninguém, é a pior dor que um ser humano pode ter na terra, perder um filho. E nós vamos seguir a nossa vida, porque tenho minha esposa, minha outra filha e meu neto, e eu ainda cuido de 50 animais de rua, o projeto da minha vida. Então é isso que eu vou me apegar”.

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Jornalista formado em Comunicação Social pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH). Na Itatiaia desde 2008, é "cria" da rádio, onde começou como estagiário. É especialista na cobertura de jornalismo policial e também assuntos factuais. Também participou de coberturas especiais em BH, Minas Gerais e outros estados. Além de repórter, é também apresentador do programa Itatiaia Patrulha na ausência do titular e amigo, Renato Rios Neto.