Nadadora transplantada tem dificuldade em conseguir remédio na Farmácia de Minas: '3 a 4 meses'
Adolescente de 16 anos apresentou reação a imunossupressor e chegou a perder 15 Kg; órgão nega demora para autorizar novo medicamento e diz que prazo é de três dias úteis

A nadadora Maria Eduarda Porto, de 16 anos, sofre com dificuldades para conseguir um novo imunossupressor na Farmácia de Minas, em Belo Horizonte. Transplantada há três anos e cinco meses, Duda tomava o remédio Micofenolato de Sódio, de 180 e 360 mg, diariamente.
Porém, o remédio começou ser rejeitado pelo corpo da adolescente, e ela chegou a perder 15 Kgs em dois meses. Atendentes da Farmácia de Minas estimaram um prazo de três a quatro meses para que a adolescente possa começar a receber o novo remédio.
"O médico explicou esse remédio dá reação depois de um tempo, com o uso constante. Ele causou uma diarreia inflamatória e minha filha perdeu 15 Kgs. Ela come bem, mas tudo o que comia o corpo não conseguia absorver e virava água. Fizemos vários exames para tentar não mexer no imunossupressor. Os médicos tem medo de mexer e o novo (medicamento) causar rejeição. Mas não teve jeito", conta a mãe Valeska Porto.
"Eu fui na Farmácia de Minas na quarta-feira passada (24) dar entrada nos documentos para trocar o remédio. Eu disse para o atendente: 'ela não pode ficar sem esse medicamento. Não sei como vou fazer'. Ele, então, disse que ia tentar ver se alguém doava uma cartela para mim. Depois ele apareceu com uma cartela com 10 comprimidos", afirma a mãe.
Duda já está tomando essa nova cartela e já sente os efeitos da melhora. "Ela já conseguiu equilibrar o intestino. Ainda não está 100%, mas já está bem melhor", garante Valeska.
Porém, ao tentar retirar o medicamento nesta segunda (29), os atendentes disseram que o Micofenolato de Sódio estava suspenso. A mãe disse que na verdade houve a troca da receita e que eles deveriam fornecer o Azatioprina para a adolescente. Porém, os atendentes explicaram que a autorização do novo medicamento demora de 3 a 4 meses para cair no sistema.
"Na quarta-feira o atendente me disse: 'Que bom que você já tem um agendamento marcado para segunda. Com certeza o medicamento vai estar aqui. Hoje, cheguei lá e não estava. A atendente me falou que demora de três a quatro meses para liberarem. Como? Ela não pode ficar sem o imunossupressor. A atendente disse pra minha filha continuar a tomar o Micofenolato de Sódio, mas ela não tem condições de continuar. Por isso o médico trocou", diz.
Falha em sistema lotou Farmácia de Minas nesta segunda (29)
Pacientes enfrentaram filas grandes e superlotação na Farmácia de Minas nesta segunda-feira (29). De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), o sistema da unidade ficou fora do ar entre às 7h e 10h15, atrasando a entrega de medicamentos. Imagens mostram que o local ficou lotado, com todas as cadeiras da sala de espera ocupadas, pessoas em pé e filas quilométricas.
Valeska era uma das pessoas que foi afetada superlotação. "Eu esperei três horas para ser atendida. Toda vez é assim. Eles falaram que o sistema saiu do ar, mas na quarta-feira, quando eu fui, não tinha saído do ar e estava do mesmo jeito. É uma falta de logística absurda", reclama.
O que diz a Secretaria de Saúde de MG
Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde informou que o sistema foi reestabelecido ainda na manhã desta segunda. "Porém, há um pequeno atraso nos atendimentos e entregas de medicamentos. A SES-MG salienta seu compromisso com os usuários e informa que a equipe está empenhada em agilizar o atendimento e reduzir os impactos desta falha operacional.", disse a pasta.
Sobre a situação de Maria Eduarda, a SES disse que "a alegação sobre uma demora de três a quatro meses para análise de pedidos de fornecimento de medicamentos pacientes transplantados não procede, uma vez que esses pedidos são analisados em até 3 dias úteis".
A pasta afirma que a inclusão do novo medicamento de Duda passará por análise pelo parecerista, que vai verificar se ele está de acordo com o protocolo clínico. "Dada a natureza da condição de saúde, o processo da paciente já está em análise para o devido parecer", afirma a secretaria.
Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.


