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Mulheres brigadistas e indígenas são homenageadas em murais em BH

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Mural de grandes proporções na Região do Barreiro, em Belo Horizonte
Mural de grandes proporções na Região do Barreiro, em Belo Horizonte • Divulgação

Mulheres brigadistas florestais e indígenas ganharam destaque em um mural de grandes proporções na Região do Barreiro, em Belo Horizonte. A obra, intitulada “Renascer das Cinzas”, foi criada pela artista Fênix e utiliza tinta produzida a partir de cinzas de incêndios florestais, propondo uma reflexão sobre preservação ambiental, resistência e reconstrução após a devastação.

A pintura ocupa a empena de um prédio residencial e retrata duas mulheres, uma brigadista e uma indígena, segurando cinzas e terra fértil, de onde brotam árvores. Segundo a artista, o trabalho evidencia que a proteção da natureza nasce tanto da atuação de quem combate o fogo quanto da “sabedoria ancestral de quem historicamente preserva o território”.

A iniciativa integra o Festival Paredes Vivas, que promoveu uma série de intervenções artísticas e atividades socioambientais na capital mineira. Além do mural no Barreiro, a Escola Estadual Cecília Meireles, no bairro Teixeira Dias, recebeu ações de arte urbana e educação ambiental voltadas à conscientização sobre os impactos dos incêndios florestais.

Na escola, foi produzido o mural “Braços Erguidos — Pela vida e pela floresta”, assinado pelo artista mineiro Marcos Asher. A obra homenageia brigadistas florestais e destaca a importância da ação coletiva na proteção dos biomas. A composição traz figuras com os braços erguidos, simbolizando luta, proteção e esperança, além de reforçar a ideia de recomeço após cenários de destruição.

Cinzas transformadas em arte

As tintas utilizadas nas obras foram desenvolvidas a partir de cinzas coletadas em incêndios ocorridos em diferentes regiões do Brasil, entre maio e julho de 2024. A iniciativa contou com a colaboração de brigadas florestais e o apoio da Rede Nacional de Brigadas Voluntárias (RNBV).

Após a coleta, o material passou por processos de pesagem, peneiramento e preparo com resina acrílica, resultando em uma tinta semelhante à aquarela. As variações de tonalidade refletem tanto os diferentes biomas quanto os tipos de vegetação queimados, permitindo aos artistas explorar uma ampla gama de cores.

Parte desse processo foi registrada no documentário “Cinzas da Floresta”, dirigido por André D’Elia. O filme acompanha uma expedição realizada em 2021 pelo artista Mundano para coletar cinzas em áreas atingidas por incêndios e transformá-las em pigmento artístico, origem do projeto.

Para a coordenadora do festival, Bea Mansano, a proposta vai além da arte. “É importante que as pessoas conheçam esse trabalho, apoiem e divulguem. Esperamos ampliar o engajamento no cuidado ambiental, para que, no futuro, não seja mais necessário combater incêndios”, afirma. O Festival Paredes Vivas – Edição Cinzas da Floresta é realizado pela Parede Viva, com apoio da Rede Nacional de Brigadas Voluntárias.

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