Mulher presa por forjar o próprio sequestro fez compras em BH enquanto extorquia familiares
Suspeita cobrou R$ 14 mil da família se passando por sequestradores enquanto estava em um hotel em Belo Horizonte

A mulher, de 40 anos, presa suspeita de forjar o próprio sequestro fez compras, esteve em restaurante, andou de carro por aplicativo e passeou em Belo Horizonte enquanto extorquia o marido, as irmãs, os pais e outros familiares. As informações foram divulgadas em entrevista coletiva realizada pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) nesta terça-feira (25).
Imagens obtidas pela Itatiaia mostram a mulher realizando compras em uma loja de departamento na manhã da segunda-feira (24), poucas horas antes de ser presa. No vídeo, é possível ver o momento em que suspeita carrega um edredom debaixo do braço e anda pelo estabelecimento.
Mulher presa por forjar o próprio sequestro fez compras em BH enquanto extorquia familiares
📹 Imagens cedidas à Itatiaia pic.twitter.com/AIzTdE99YT
— Itatiaia (@itatiaia) August 25, 2026
De acordo com a instituição, a mulher saiu de casa nesse domingo (23) quando começou a postar nos status de redes sociais pedidos de socorro. Ela também mandou mensagens pedindo ajuda para uma irmã e, na sequência, usou um outro chip para fingir ser um sequestrador e extorquir os familiares.
"Chegaram a mandar, inclusive, vídeos e fotos dela, que estariam simulando estar no poder de sequestradores, e pediram, principalmente, a quantia de 14 mil reais, alegando que ela tinha dívidas com terceiros e que só libertariam se ela pagasse o valor", contou o titular da Delegacia Especializada Antissequestro (DAS), o Dr. Murillo Ribeiro.
Nas mensagens, a mulher exigia a quantia e o tempo todo ameaçava: "Se não fizer isso, vamos matá-la, nós vamos agredi-la", dizia. Após as investigações, os policiais descobriram que se tratava de um sequestro forjado. A mulher foi presa na segunda-feira (24) à noite em um hotel na Região Central de Belo Horizonte.
Para além de enganar os próprios familiares, a mulher demandou recursos públicos, apontou o titular da Delegacia Especializada Antissequestro (DAS).
"Ela também acionou um aparato absolutamente especializado do Estado de Minas Gerais, a Delegacia Especializada em Sequestros, ela tem atribuição no Estado todo, então nós somos acionados para qualquer ocorrência de extorsão mediante sequestro, nós paramos tudo o que a gente estava fazendo, como é de praxe, para dar atenção a um caso em andamento, e com isso foram desperdiçados recursos públicos, toda uma equipe num aparato para, na verdade, descobrir que essa vítima, na verdade, era a própria autora do crime", afirmou Murillo Ribeiro.
No momento em que foi abordada pelos militares, a mulher se assustou e assumiu o crime. "Ela já começou a chorar, e a gente pergunta: 'Você está sequestrada? Tem mais alguém aqui?' Ela fala: 'Não, eu estou sozinha.' E a primeira pergunta é: 'Quem está mandando as mensagens para os seus familiares?' Ela: 'Sou eu, do meu celular, que está ali em cima da mesa'. Obviamente, ela começa a chorar, porque a gente já avisa que ela está presa em flagrante por um crime grave, um crime com uma pena bastante acentuada", afirmou.
Ainda segundo os policiais, a mulher agiu sozinha. Ao longo da farsa, a mulher abordou algumas pessoas e pediu para usar o Pix delas. "Aparentemente, ela agiu sozinha. As pessoas que, de alguma forma, estiveram com ela, são pessoas que também foram enganadas por ela e que não sabiam da situação do sequestro. Ela, por exemplo, contratou um motorista de aplicativo e ela contou uma história, pegou o Pix dele e fingiu que era o Pix do sequestrador para exigir a extorsão. Ela foi jantar num estabelecimento comercial, contou uma história para a dona, pegou o Pix dessa dona e indicou como se fosse uma conta para ser depositada a extorsão", disse.
Marido disse ter pena da esposa
O marido da mulher de 40 anos presa por forjar o próprio sequestro para cobrar R$ 14 mil da família afirmou à Itatiaia que está aliviado após a polícia descobrir a farsa, mas que sente “muita pena” da esposa.
Segundo o homem, de 51 anos, a mulher enfrentava há anos problemas relacionados a dinheiro e teria feito empréstimos sem o conhecimento dele. Ele afirmou que chegou a vender um carro e depois descobriu que o dinheiro havia sido gasto pela esposa.
"Eu poderia hoje estar muito nervoso pela situação que ela fez, mas eu estou aliviado e com muita pena dela. Ela é uma pessoa muito boa, inteligente, gosta de ajudar as pessoas, mas é uma pessoa que precisa de um tratamento. Ela é muito ambiciosa por dinheiro”, contou.
O homem afirma que a esposa costuma gastar dinheiro com alimentação, roupas, passeios e para 'agradar outras pessoas'. Segundo ele, ela também teria feito empréstimos em sua conta, o que deixou a família endividada.
O casal tem um filho de 1 ano. O marido contou que está preocupado com a criança, que estaria sentindo a ausência da mãe.
“Eu estou aí nessa situação com um filho de um ano precisando da mãe, que chora a noite toda. Já tem dois dias que eu não durmo. Eu poderia estar com raiva dela, mas estou morrendo de pena dela”, disse em entrevista à Itatiaia.
Família busca orientação jurídica
O marido afirmou que pretende procurar a Defensoria Pública para saber quais medidas podem ser tomadas diante da prisão da esposa.
“Eu tenho três filhos menores e agora não tenho condição de contratar um advogado. Estou indo na Defensoria Pública para saber a orientação, o que eles podem me indicar sobre isso”, afirmou.
Dívidas com agiotas
De acordo com o boletim de ocorrência, a mulher teria alegado que forjou o próprio sequestro para conseguir dinheiro e quitar dívidas com agiotas.
O marido, porém, afirmou que os problemas financeiros da esposa eram antigos. Ele também relatou que ela costumava pedir dinheiro emprestado a familiares e outras pessoas.
Segundo o homem, um empréstimo de R$ 460 teria sido feito com o cunhado, que posteriormente contou a ele sobre a dívida.
“Ela consegue pedir dinheiro emprestado. Para quê? Para não comprar nada. Ela não é viciada, não fuma, se beber, bebe pouco. Gasta dinheiro com comida e compra roupa”, afirmou.
Ele também contou que a esposa costumava gastar dinheiro com alimentos para os filhos e outras pessoas.
Amanda Antunes cursou jornalismo no Unileste (Centro Universitário Católica do Leste de Minas Gerais), com graduação concluída na Faculdade Estácio, em Belo Horizonte. Em 2009, começou a estagiar na Rádio Itatiaia do Vale do Aço, fazendo a cobertura de cidades. Em 2012, chegou à Itatiaia Belo Horizonte. Na rádio de Minas, faz parte do time de cobertura policial - sua grande paixão - e integra a equipe do programa ‘Observatório Feminino’.
Jornalista formada pelo UniBH, é apaixonada pelo dinamismo do factual e pelo poder das histórias bem narradas. Com trajetória que inclui passagens pelo Sistema Faemg Senar, jornal Estado de Minas e g1 Minas, possui experiência em múltiplas plataformas e linguagens. Atualmente, integra a redação da Rádio Itatiaia, onde acompanha os principais acontecimentos de Minas Gerais, do Brasil e do mundo
Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego/ Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.
Jornalista pela PUC Minas. Na Itatiaia, escreve para Minas Gerais e Brasil. Anteriormente, trabalhou no jornal Estado de Minas como repórter de Gerais, com contribuições para os cadernos de Política, Economia e Diversidade.
Repórter policial e investigativo, apresentador do Itatiaia Patrulha.
Jornalista formado em Comunicação Social pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH). Na Itatiaia desde 2008, é "cria" da rádio, onde começou como estagiário. É especialista na cobertura de jornalismo policial e também assuntos factuais. Também participou de coberturas especiais em BH, Minas Gerais e outros estados. Além de repórter, é também apresentador do programa Itatiaia Patrulha na ausência do titular e amigo, Renato Rios Neto.








