Mulher denuncia importunação sexual em famosa casa de samba em BH: 'seguranças debocharam de mim'
A vítima afirma que ficou frente a frente com o suposto agressor por três horas à espera da polícia, que mesmo acionada não foi ao local; frequentadora diz que irá processar o estabelecimento

Uma mulher de 31 anos relatou ter sido vítima de importunação sexual nesse domingo (6), em uma casa de samba no bairro Jardim Montanhês, na região Noroeste de Belo Horizonte. À Itatiaia, a vítima afirmou que após o episódio, os seguranças da casa cercaram o suspeito para protegê-lo e debocharam dela. A mulher também teria ficado frente a frente com o agressor por três horas à espera da polícia, que mesmo acionada não foi ao local.
"Eu estava com um casal de amigos perto e um homem passou por mim, pedindo 'licença'. O bar estava muito cheio e, nesses casos, é normal você encostar no ombro de uma pessoa. Mas ele pegou no meu ombro e deslizou até a coxa, passando pelas costas e pela bunda. Na hora eu fiquei muito assustada. Uma menina que tinha acabado de conhecer viu a cena e disse: 'Ele passou a mão em você inteira. Eu vi certo?'. Aí eu vi que ele tinha passado a mão em mim toda. Eu não bebo, não estava usando roupa curta. Estava com um vestido até o joelho e sem decote", relembra a vítima, que não será identificada.
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"Fiquei horas sentada na frente dele [suposto agressor] e ele debochando. Minha amiga começou a filmar [o suspeito], mas um segurança passou a me filmar de volta. Ele disse que, já que o homem estava sendo filmado, que ele iria me filmar também. Aí, eu comecei a filmar o segurança. Ele ficou fazendo gracinha para a câmera, mandando beijos, abraçando ele [o suspeito], debochando. Os seguranças foram extremamente hostis comigo e com minha amiga. Eles ficaram rindo, debochando", alega.
"Ela disse que todo mundo, todos da equipe dela estava lá esperando a polícia, então era para eu esperar também. Quando a polícia falou que não tinha previsão para ir, o cara [suposto agressor] disse que queria ir embora e faria o boletim de ocorrência online. Só quando ele quis, ela falou para que eu fosse para casa e também fizesse o B.O online também. Na saída, os seguranças ainda abraçaram ele [o suspeito] e os amigos dele. Disseram que tudo ia dar certo. Para mim, eles não falaram um 'a'", diz.
Em nota à Itatiaia, a Polícia Militar de Minas Gerais disse que foram identificadas duas chamadas para o estabelecimento. Apesar dos relato que a PM não teria comparecido ao local, a corporação afirma que uma viatura foi até o endereço, mas não encontrou o solicitante.
"Conforme registros do sistema a viatura policial esteve no local por volta de meia noite para atendimento da chamada e o solicitante não foi localizado. Logo em seguida, houve nova ligação informando que o solicitante se deslocaria para uma delegacia para realizar o registro, dispensando o atendimento no local", disse.
O que diz o 3 Preto Bar
Procurado pela reportagem, o estabelecimento negou as acusações e reiterou que acolheu a vítima. Leia a nota na íntegra:
"Nós do 3 Preto Bar afirmamos que logo que tomamos ciência do caso, prontamente acolhemos a vítima, ouvindo-a e entendendo a situação vivenciada, bem como orientando e aguardando os órgãos competentes para registro de boletim de ocorrência.
Ambos, vítima e o suposto autor foram separados pelos nossos seguranças, afim de evitar uma briga generalizada e o escalonamento da situação de violência. Afirmamos, ainda, que o próprio suposto autor e funcionários da casa fizeram inúmeros chamados junto à Polícia Militar (PMMG), mas não foi possível a presença dos militares do local.
Após sermos informados por uma atendente do 190 que a viatura iria demorar, foi feito, em comum acordo com as partes presentes, o compartilhamento dos dados dos envolvidos para registro futuro.
Nossa casa tem realizado campanhas nas redes sociais e em suas dependências contra crimes de assédio, importunação, violência contra as mulheres, capacitismo, etarismo, gordofobia, intolerância religiosa, LGBTFobia, racismo, transfobia e todos os tipos de violências para que sejamos um lugar de diversão e lazer para todas as pessoas.
Além disso, nossa gestão se compromete com capacitações e campanhas de conscientização sobre violências de gênero e raciais, contribuindo com a cultura de um ambiente seguro a todas as pessoas"
Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.


