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MP aponta superfaturamento em show de Bruna Lipiani em cidade no interior de MG

Prefeitura de Santa Bárbara do Tugúrio pagou R$ 100 mil por apresentação da cantora Bruna Lipiani, valor acima da média de mercado

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Cantora Bruna Lipiani • Reprodução

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) entrou na Justiça contra o prefeito de Santa Bárbara do Tugúrio e uma empresa de produção de eventos por suspeita de superfaturamento na contratação de um show realizado com dinheiro público durante as festas de fim de ano de 2025.

A ação foi movida após vereadores da cidade denunciarem possíveis irregularidades na contratação da cantora Bruna Lipiani, feita sem licitação. Segundo o Ministério Público, a prefeitura pagou R$ 100 mil pela apresentação.

Uma análise técnica do próprio MPMG apontou que o valor está acima do que a artista costuma cobrar em contratos feitos por outros municípios.

De acordo com o levantamento, o cachê pago em Santa Bárbara do Tugúrio foi 60,33% maior que a média registrada em Minas Gerais e 39,13% superior à média nacional.

O Ministério Público estima que o suposto sobrepreço tenha causado um prejuízo de cerca de R$ 37,6 mil aos cofres públicos.

Segundo o promotor de Justiça Vinícius de Souza Chaves, a contratação direta de artistas é permitida pela legislação, mas o poder público precisa comprovar que o valor pago está dentro dos preços praticados no mercado.

Para o MPMG, isso não teria acontecido no caso investigado.

Na ação, o órgão pede que os envolvidos devolvam o valor apontado como prejuízo e solicita à Justiça a aplicação de punições previstas para casos de improbidade administrativa, como pagamento de multa, perda do cargo público e suspensão dos direitos políticos.

O Ministério Público também pediu o bloqueio de bens dos investigados para garantir um possível ressarcimento aos cofres públicos.

O que diz a Prefeitura?

"O Governo Municipal  de Santa Bárbara do Tugúrio informa que recebeu com tranquilidade a ação proposta pelo Ministério Público e reafirma seu absoluto respeito ao Poder Judiciário, aos órgãos de controle e ao papel constitucional de fiscalização exercido por essas instituições.

Ao mesmo tempo, temos plena convicção de que todos os atos praticados pela administração ocorreram dentro da legalidade, observando os critérios técnicos e jurídicos previstos na legislação vigente. A contratação mencionada seguiu os trâmites legais aplicáveis à inexigibilidade para apresentações artísticas, com documentação pública, transparente e disponível nos órgãos oficiais competentes.

Causa estranheza, contudo, que uma gestão que, ao longo dos últimos seis anos, vem promovendo transformações históricas no município, com avanços concretos na habitação, saúde, educação, infraestrutura urbana e rural, assistência social e qualidade de vida da população, seja constantemente alvo de questionamentos dessa natureza, enquanto tantas conquistas relevantes para o povo acabam não recebendo a mesma atenção.

As festividades culturais e comemorativas do município sempre fizeram parte da identidade e da tradição da cidade, movimentando a economia local, fortalecendo o comércio, gerando renda e proporcionando lazer à população. O evento citado ocorreu dentro desse contexto, integrando as comemorações de fim de ano e aniversário da cidade.

A administração municipal seguirá trabalhando com responsabilidade, transparência e serenidade, prestando todos os esclarecimentos necessários nos autos e confiando plenamente na correta apreciação dos fatos pela Justiça.

Nosso foco continuará sendo aquilo que realmente importa: cuidar das pessoas e continuar promovendo o desenvolvimento do município em todas as áreas"

A reportagem também procurou a cantora Bruna Lipiani e aguarda um posicionamento.

*Matéria em atualização

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Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego/ Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.