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Moradores da Pampulha, em BH, voltam a reclamar de som alto e baile funk

Famílias relatam sexo explícito, furtos e violência nas madrugadas; muitos já colocaram imóveis à venda

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Moradores e comerciantes da região da Pampulha pedem socorro em meio a bagunça, som alto e sujeira com os bailes funk que ocorrem em uma das principais avenidas da região
Imagens de câmeras de segurança mostram jovens voltando de um baile funk fazendo barulho, com som alto • Imagens cedidas à Itatiaia

Moradores e comerciantes da região da Pampulha voltaram a denunciar a perturbação causada pelos bailes funk realizados em ruas e praças. Relatos apontam som alto, aglomerações, uso de drogas, sexo explícito e até disparos de arma de fogo durante a madrugada.

Segundo os moradores, a situação ocorre há pelo menos quatro anos, principalmente nas imediações da Avenida Guarapari, no bairro Santa Amélia.

Imagens de câmeras de segurança, às quais a Itatiaia teve acesso, registraram em diferentes dias barulho intenso, conversas até o amanhecer, motociclistas empinando motos, além de tentativas de furto e assaltos.

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Muitas famílias relatam que, cansadas da situação, já colocaram os imóveis à venda ou procuram refúgio temporário em hospedagens de aplicativos nos fins de semana.

Relato de morador

Com medo de represálias, um morador pediu para não ser identificado:

“O que a gente vive aqui é insuportável. É barulho ensurdecedor, gente urinando em portas de lojas e casas, sexo explícito, drogas, assaltos e agora até tiros no final dos bailes. A polícia faz blitz até por volta de 2h da manhã, mas assim que vai embora, a bagunça começa de novo, muitas vezes até 4h.”

O que diz a legislação

Em Belo Horizonte, a lei que proíbe a perturbação do sossego está em vigor desde 2008. O limite permitido de barulho varia conforme o horário. Em sextas, sábados e vésperas de feriado, o máximo é de 60 decibéis até as 23h. Já a Organização Mundial da Saúde recomenda até 53 dB como limite seguro.

De janeiro a julho deste ano, a Prefeitura de Belo Horizonte registrou 4.374 denúncias de poluição sonora. No período, foram realizadas mais de 5 mil vistorias, com 530 notificações, 410 multas e 17 interdições.

A fiscalização é feita em parceria com as polícias Civil e Militar. De acordo com Raquel Guimarães, diretora de Planejamento de Fiscalização da Secretaria Municipal de Planejamento, Orçamento e Gestão, moradores devem acionar o serviço de poluição sonora disponível no portal da PBH.

Perturbação é crime

Dados do Observatório de Segurança Pública de Minas Gerais mostram que, entre janeiro de 2020 e junho de 2025, foram registrados mais de 630 casos de perturbação do sossego em Belo Horizonte.

“As pessoas acham que perturbação é algo simples, mas já configura infração penal. Em casos reincidentes, pode gerar inquérito policial. A recomendação é registrar boletim de ocorrência e acionar a PM pelo 190 sempre que o problema acontecer.”

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Jornalista graduada em 2005 pelo Centro Universitário Newton Paiva, com experiência em rádio e televisão. Desde 2022 atua como repórter de cidades na Itatiaia.