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Mineirão não tinha alvará de funcionamento para tirolesa que causou acidente de filha de Alê Oliveira

Adolescente de 14 anos despencou de uma altura de 6m na última quinta-feira (12)

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A menina despencou de uma altura de 6m quando estava próxima ao anel superior do Mineirão
A menina despencou de uma altura de 6m quando estava próxima ao anel superior do Mineirão • Divulgação / Arquivo pessoal

O Mineirão não tinha alvará de funcionamento para a tirolesa que causou o acidente da filha de Alê Oliveira, comentarista da Itatiaia.

A informação foi confirmada à Itatiaia pela assessoria de imprensa da Prefeitura de Belo Horizonte. De acordo com a nota da Prefeitura, o Mineirão tem alvará apenas para atividades esportivas e não foi feito licenciamento para a atividade eventual da tirolesa. Ainda segundo a Prefeitura, a Nerea, empresa que, segundo o Mineirão, operava a tirolesa não tem alvará de localização e funcionamento para atuar no estádio.

A Itatiaia também consultou o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, que informou que não há norma específica da corporação para montagem e execução de atividades de tirolesa em locais que já são regulamentados pelos Bombeiros, o que é o caso do Mineirão.

A corporação ressalta, porém, que os organizadores desse tipo de atividade devem garantir a presença de profissionais qualificados, que serão responsáveis pela segurança do público, respeitando as normas definidas pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Na terça (17), o Mineirão informou em nota que foi identificada falha humana na operação da tirolesa.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa do Mineirão, por e-mail e por telefone, mas não teve resposta antes da publicação. A assessoria de imprensa enviou nota nesta sexta-feira (20) à noite, que está reproduzida na íntegra a seguir:

Lamentamos a divulgação equivocada acerca do alvará para funcionamento da tirolesa. O Mineirão informa que a MXP, empresa contratante da tirolesa, possui alvará de funcionamento para as atividades no Mineirão. A Nerea, não tem sede no estádio, é uma empresa contratada pela MXP para a operação da tirolesa e, portanto, não precisa de alvará para desempenhar a atividade no estádio.

Ressaltamos também que, apesar do ocorrido na última semana, as atividades foram desenvolvidas em conformidade com a legislação vigente, especialmente com as normas técnicas aplicáveis exigidas pelo Corpo de Bombeiros. A tirolesa do Mineirão possui projeto de engenharia e Anotação de Responsabilidade Técnica (ART).

O acidente

Na última quinta-feira (12) o comentarista Alê Oliveira foi com a família ao Mineirão para um passeio na tirolesa. A filha dele, de 14 anos, foi a primeira a fazer a descida. No início do trajeto, quando passava perto do anel superior do estádio, a jovem despencou de uma altura de 6m. O acidente foi filmado pelos acompanhantes da vítima. Veja o vídeo:


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A adolescente teve escoriações na perna esquerda, braço esquerdo, tórax e abdômen, e precisou ser levada ao Hospital João XXIII, em Belo Horizonte. Ela foi atendida e recebeu alta.

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Na terça-feira (17), quando o caso foi divulgado, o Mineirão se pronunciou com a seguinte nota:

"O Mineirão, a MXP - empresa contratante da tirolesa -, e a Nerea, empresa responsável pela operação da tirolesa, lamentam o acidente ocorrido na quinta-feira (12), no estádio.

A visitante recebeu prontamente o atendimento médico no Mineirão e foi encaminhada para o Hospital João XXIII, que diagnosticou escoriações leves sem fratura. Ela foi liberada no mesmo dia.

A perícia realizada identificou falha humana na operação. O Mineirão encerrou imediatamente a atividade de tirolesa no estádio.

Mineirão, MXP e Nerea reiteram que prestaram todo o suporte à visitante e seus familiares e seguem à disposição dos envolvidos".

Em nota, a Polícia Civil informou que abriu inquérito para investigar o acidente, que está sendo conduzido pela 3ª Delegacia de Polícia Civil Noroeste, em BH.

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Enzo Menezes é chefe de reportagem do portal da Itatiaia desde 2022. Mestrando em Comunicação Social na UFMG, fez pós-graduação na Escola do Legislativo da ALMG e jornalismo na Fumec. Foi produtor e coordenador de produção da Record e repórter do R7 e de O Tempo

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Coordenadora de jornalismo digital na Itatiaia. Jornalista formada pela UFMG, com mestrado profissional em comunicação digital e estratégias de comunicação na Sorbonne, em Paris. Anteriormente foi Chefe de Reportagem na Globo em Minas e produtora dos jornais exibidos em rede nacional.