Minas se prepara para eventos extremos com influência do El Niño
Defesa Civil intensifica preparação dos municípios diante da previsão de estiagem até dezembro e aumento das pancadas de chuva; mais de 840 profissionais já foram treinados

Minas Gerais se prepara para enfrentar eventos climáticos extremos associados ao El Niño, com atenção para períodos de estiagem e, posteriormente, para o aumento das pancadas de chuva. A Defesa Civil Estadual intensificou as ações de prevenção e preparação dos municípios diante de um cenário marcado por maior imprevisibilidade dos eventos meteorológicos.
Segundo o coordenador estadual de Defesa Civil, coronel Paulo Rezende, a expectativa é de que a estiagem se prolongue até dezembro, seguida pela ocorrência de chuvas mais intensas. O cenário pode provocar impactos diferentes de acordo com a região do estado.
“Estamos vendo, nos extremos climáticos, uma imprevisibilidade maior. Temos uma expectativa de aumentar a estiagem até dezembro e depois a chegada das pancadas de chuva”, explicou.
A mudança no regime de chuvas pode afetar diretamente o agronegócio, principalmente por causa do calendário de plantio, além de trazer reflexos para a pecuária. Na área da saúde, a preocupação envolve doenças respiratórias e arboviroses, como dengue e chikungunya.

Regiões recebem atenção diferente
A Defesa Civil já realizou reuniões com municípios das regiões Leste e do Triângulo Mineiro e tem um encontro previsto para o Sul de Minas. Segundo Rezende, todas as regiões precisam estar preparadas, mas os riscos variam de acordo com as características de cada área.
No Norte de Minas, no Vale do Jequitinhonha e no Vale do Mucuri, a principal preocupação está relacionada à seca e à estiagem. O número de municípios considerados prioritários para esse tipo de acompanhamento aumentou significativamente: passou de 49 para 230. Já em outras regiões, a preocupação maior está relacionada às chuvas intensas e aos deslizamentos de terra.
Na Zona da Mata, por exemplo, Juiz de Fora e Ubá já registraram impactos distintos. Em Ubá, o principal problema foi uma enxurrada. Em Juiz de Fora, o risco está concentrado em áreas sujeitas a deslizamentos. “Cada município tem uma situação diferente. Na Zona da Mata tivemos dois municípios impactados: Juiz de Fora e Ubá. Em Ubá tivemos enxurrada; em Juiz de Fora, o risco é geológico, com deslizamento de terra”, afirmou.
Deslizamentos preocupam
Segundo o coordenador da Defesa Civil, os deslizamentos de terra exigem atenção especial porque podem provocar um número elevado de mortes, principalmente quando atingem áreas ocupadas. “Esse costuma ser um evento que mata mais pessoas que enxurrada, principalmente porque as pessoas estavam em casa”, explicou Rezende.
Por isso, uma das prioridades da Defesa Civil é fazer com que os municípios tenham mapeados os locais de risco e saibam quais comunidades podem ser afetadas durante eventos extremos. “O primeiro desafio nosso é conscientizar os municípios, com mapeamento de riscos prontos, quais comunidades estão em situação de risco e quais os riscos”, disse.

Mais de 840 profissionais foram treinados
Como parte da preparação, mais de 840 profissionais já receberam treinamento para atuar diante de situações de emergência. A Defesa Civil também mantém análises semanais sobre o comportamento do El Niño para orientar as ações e manter as equipes em prontidão. A estratégia é baseada em três etapas: identificar os riscos, adotar medidas de prevenção e preparar uma resposta rápida para situações de emergência.
“O primeiro passo é a consciência do risco. O segundo é adotar medidas de prevenção e preparação”, afirmou Rezende. Em caso de eventos extremos, a resposta deve envolver diferentes áreas do poder público, como saúde, educação e assistência social, além dos órgãos responsáveis pela segurança e pela infraestrutura.
Entre as medidas previstas estão a retirada preventiva de pessoas de áreas de risco, a criação de canais de comunicação com a população e a manutenção das equipes em estado de prontidão. “A resposta precisa ser multidisciplinar. É preciso desassorear riscos, tirar pessoas de áreas de risco, criar canais de comunicação e colocar todo esse sistema de prontidão para ter uma resposta rápida e em tempo para responder nos atendimentos”, afirmou o coronel.
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